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Especialistas mostram evolução do levantamento da arte rupestre na Gardunha

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Foto Shutterstock

A equipa técnica que está a fazer o levantamento de arte rupestre no sítio arqueológico Ribeira da Bárbara, em Alcongosta, no concelho do Fundão, promove, na quinta-feira, uma visita ao local.  

Intitulada "Pedras de Luz", a visita é orientada pelo professor André Tomás Santos, do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património (CEAACP) da Universidade de Coimbra, entidade parceira do projeto.

A prospeção arqueológica na serra da Gardunha está a decorrer no âmbito do Recordare, um projeto transfronteiriço, que tem o financiamento de um milhão de euros, da União Europeia, para, até 2027, revitalizar a cultura e o património da região fronteiriça, entre Portugal e Espanha.

O projeto da Ribeira da Bárbara resulta de um protocolo entre o CEAACP e o Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, no Fundão, distrito de Castelo Branco, sendo os trabalhos coordenados por André Tomás Santos.

"As gravuras de Santa Bárbara são uma importante evidência do posicionamento estratégico da Cova da Beira, entre o mundo mediterrânico e o mundo atlântico durante a Idade do Bronze, descobrindo-se nestas rochas, motivos mais comuns no Noroeste, como círculos concêntricos, a par de gravuras esquemáticas, tradicionalmente associadas àquele mundo", refere o docente.

A equipa integra ainda dois estudantes da licenciatura em Arqueologia, da Universidade de Coimbra, e uma mestre pela mesma universidade.

Os trabalhos de registo são feitos durante o dia, mas a visita está agendada para as 19:00, por ser "a melhor forma para visualizar as gravuras, mediante o recurso da luz artificial".

Pedro Salvado, do Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, acrescenta que "as periferias interiores de hoje seriam bem mais centrais no passado".

A visita conta com o apoio da Junta de Freguesia de Alcongosta e é aberta à comunidade, pois como refere o seu presidente, João Nuno, "o objetivo é ligar as pessoas aos seus patrimónios".

Na ocasião será, por isso, evocado o fotógrafo Diamantino Gonçalves, que faleceu, mas "foi o primeiro grande divulgador da arte pré-histórica da serra da Gardunha".