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Madeira

Unidade de AVC do SESARAM trata 2 em cada 3 doentes

Por ano, na Região, são afectadas entre 600 a 700 pessoas com esta problemática cujo melhor combate passa pela prevenção

Região associada às comemorações do Dia Nacional do AVC, com iniciativa no Centro Cultural e de Investigação do Funchal.
Região associada às comemorações do Dia Nacional do AVC, com iniciativa no Centro Cultural e de Investigação do Funchal., Foto ML

Por ano, na Madeira, surgem, em média, entre 600 a 700 Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC), número que não tem sofrido grandes oscilações, conforme deu conta, esta manhã, o coordenador da Unidade de AVC do Serviço de Saúde da Região (SESARAM).

No âmbito de iniciativa que assinala, na Região, o Dia Nacional do Doente com AVC, Patrício Freitas referiu que as 12 camas da unidade especializada que coordena têm permitido o tratamento de cerca de dois terços dos doentes afectados por esta patologia, sendo os restantes integrados no Serviço de Medicina Interna.

O médico internista reconhece a falta de capacidade para chegar a todos os doentes, razão pela qual a estratégia passa por “privilegiar” os que apresentam melhores condições de recuperação e com menos sequelas do evento sofrido.

“Não temos capacidade para abarcar todos os utentes com AVC. Tentamos privilegiar aqueles a quem podemos oferecer as melhores condições para os recuperar e que não tenham muitas sequelas no evento que eles eventualmente venham a ter. A nível da própria unidade temos uma taxa de mortalidade a volta de 3,9%, que é relativamente baixa, comparado com o que preconizam a nível europeu, que é 10 a 12%”

O especialista aponta que o melhor ‘tratamento’ para esta problemática é a prevenção, pois “evita que os doentes venham a ter um evento muitas vezes limitativo ou fatal”.

Entre os factores de risco, a hipertensão arterial é o que tem mais peso, estando na origem de cerca de 50% dos casos, tanto nos AVC isquémicos, como nos hemorrágicos. Juntam-se-lhe a diabetes, a dislipidemia (‘gordura no sangue’), a obesidade, bem como a falta de exercício físico, o consumo de álcool e de tabaco, ou, ainda, entre a população mais jovem, o consumo de drogas recreativas.

Embora os números estejam estáveis, Patrício Freitas não deixou de apelar aos presentes na iniciativa que teve lugar no Centro Cultural e de Investigação do Funchal para os cuidados preventivos a ter.

E em caso de AVC, vinca que a melhor atitude a tomar é ligar, de imediato, o 112 e pedir ajuda dos profissionais da emergência médica pré-hospitalar. “Quando há alterações ou desvio da comissura labial, alteração de linguagem, falta de força num membro, perda súbita da visão e alteração do equilíbrio no deambular. E uma cefaleia violenta, descrita como a pior cefaleia de todos os tempos, nestas casos,  a primeira atitude é ligar ao 112 e chegar o mais rapidamente possível ao hospital”, salienta.

Unidade distinguida

A Unidade de AVC do SESARAM tem sido reconhecida, tanto a nível nacional, como internacional, pelo trabalho desenvolvido e pela resposta dada aos doentes, sobretudo através da Via Verde do AVC, instituída no Hospital Dr. Nélio Mendonça desde 2008.

O médico não tem dúvidas de que esta foi “uma boa medida” implementada, pois “permite aumentar a celeridade do tempo de chegar ao hospital, porque os tratamentos de fase aguda, que são a trombose e a trombectomia, têm de ser feitos o mais rapidamente possível. Tempo é cérebro e perder 5 ou 10 minutos pode ser a diferença entre ficar sem sequelas ou com sequelas”, sustentou.

Recentemente, a Unidade de AVC do SESARAM foi distinguida com a um selo de excelência ‘Angels’, colocando a Madeira como uma região segura em termos de tratamento do AVC, conforme reforçou Micaela Freitas.