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Luso-venezuelanos com optimismo moderado três meses após captura de Maduro

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Três meses após a operação militar norte-americana que capturou o Presidente venezuelano Nicolás Maduro, os portugueses radicados na Venezuela têm um otimismo moderado sobre o futuro do país, disse à Lusa Sancho Gomes.

O sentimento dos portugueses em relação ao futuro da Venezuela foi transmitido pelos luso-venezuelanos ao diretor regional das Comunidades e Cooperação Externa da Região Autónoma da Madeira, que hoje termina uma visita de uma semana ao país.

"Encontrei a nossa comunidade bastante tranquila e confiante relativamente ao futuro. Expectante, uma vez que são perspetivadas muitas inovações, mas que ainda não estão a ser concretizadas, e com um otimismo moderado", disse Gomes.

O dirigente explicou que contactou com portugueses nas cidades de Caracas, Maracay, Los Teques, La Guaira e Barquisimeto.

A visita, disse Gomes, "foi programada para aferir do estado de espírito" dos madeirenses e da situação na Venezuela, "atendendo também às alterações ao contexto sociopolítico verificadas decorrente da intervenção do dia 03 de janeiro".

O diretor regional visitou 12 associações portuguesas locais, falou com um médico luso-venezuelano, ex-preso político que foi recentemente libertado e esteve no governo civil de La Guaira e com o deputado luso-venezuelano Orlando Camacho.

"Esta visita foi planeada para tentar abranger o máximo de entidades possíveis que nos ajudem a fazer aquilo para nós essencial, que é garantir o bem-estar e a segurança de todos os emigrantes, das suas famílias e dos seus interesses", disse Gomes.

Sobre os presos políticos portugueses, o dirigente explicou que "há alguma matéria que é reservada" e que podia apenas afirmar "que o Governo regional da Madeira está atento às necessidades de todos os cidadãos madeirenses, aos seus descendentes, estejam onde estiverem".

Questionado sobre a comunidade lusa na Venezuela ser envelhecida e carenciada, Gomes respondeu que não associaria a velhice à carência e explicou que a autonomia fez melhorar substancialmente a qualidade de vida na Madeira.

"E isso tem evitado que muitos madeirenses tenham de emigrar o que significa que as comunidades, não têm sido alimentadas com sangue novo, proveniente de Portugal e da Madeira, o que promove ou provoca um envelhecimento que é natural. Daí nós dizermos que o segredo para garantirmos as nossas comunidades é conquistar as segundas e terceiras as gerações", disse o dirigente.

No entanto, Gomes admitiu que "há pessoas que, mesmo trabalhando muito nunca obtiveram sucesso e passam por dificuldades".

"E não são apenas da terceira idade, são também pessoas que já foram da classe média e que, devido à inflação brutal, que atingiu este país nos últimos anos, passaram da classe média, viram-se pobres e necessitam de algum apoio", disse o diretor regional.

Gomes elogiou o trabalho que a Sociedade de Beneficência das Damas Portuguesas realiza ao apoiar os mais carenciados com medicamentos, atenção em saúde, alimentos e vestuário.

"É um trabalho fundamental que revela o espírito filantrópico solidário de amor ao próximo, absolutamente digno de todo o nosso reconhecimento. E, por isso, é que também o governo regional apoia, financeiramente, esta instituição", disse o dirigente.

Gomes explicou que as associações são o sangue e alma das comunidades, que garantem o apoio social, promovem os valores, cultura, gastronomia, etnografia e fé da Madeira no mundo.

"Por isso, merecem, são merecedoras e credoras de todo o nosso apoio", acrescentou o diretor regional.

"O governo regional e a população madeirense está profundamente agradecida por tudo aquilo que a comunidade madeirense da Venezuela tem feito ao longo de décadas pela Madeira", disse Gomes.

O dirigente sublinhou que o progresso dos 50 anos de autonomia foi possível também devido às remessas que os emigrantes enviaram para a Madeira e à promoção que fizeram além-fronteiras.