PTP pede à Assembleia Regional a constituição de comissão de inquérito ao Golfe do Faial
O Partido Trabalhista Português (PTP) requereu hoje à Assembleia Legislativa da Madeira e aos grupos parlamentares a constituição de uma comissão de inquérito ao projeto do campo de golfe do Faial, apontando falhas de transparência, dúvidas financeiras e possíveis interesses privados.
Está em causa um investimento público de até 36 milhões de euros, acima dos cerca de 25 milhões inicialmente anunciados, aponta o partido em nota à imprensa, na qual considera esta diferença significativa um sinal de fragilidade no planeamento e questiona a fiabilidade dos estudos de custo.
Assinala ainda uma desproporção no investimento, comparando-o com o processo de expropriações do Hospital Central da Madeira, cujo custo foi inferior, apesar de se tratar de uma infraestrutura essencial e localizada numa zona de maior valorização imobiliária.
Entre as principais críticas está o recurso a expropriações para um projeto turístico, considerado pelo PTP um uso indevido de um mecanismo reservado a interesses públicos essenciais. Questiona também a dimensão do projeto, que ocupa cerca de 70 hectares.
O PTP levanta ainda dúvidas sobre a eventual existência de interesses imobiliários associados ao empreendimento, situado numa zona ambientalmente sensível da Ribeira do Faial, e denuncia a ausência de informação clara sobre os impactos, a viabilidade e os benefícios reais para a população local.
O partido critica igualmente as prioridades do Governo Regional, sublinhando que o investimento contrasta com carências persistentes em áreas como saúde, habitação, transportes e apoio social.
Com este pedido, o PTP pretende que a comissão de inquérito apure a fundamentação da decisão, a evolução dos custos, os critérios das expropriações, o cumprimento das obrigações legais, a eventual existência de interesses privados beneficiados e a viabilidade económica do projeto. Defende ainda a divulgação de todos os estudos relevantes e a audição das populações e especialistas, garantindo um processo transparente e independente.