“Os animais já sentiam que algo ia acontecer”, relata moradora no Curral
A derrocada que atingiu o Curral das Freiras foi antecedida por sinais que não passaram despercebidos a alguns moradores, sobretudo a quem vive mais próximo da encosta. Fernanda Fernandes conta que, dias antes do deslizamento, havia um pressentimento estranho, reforçado pelo comportamento dos animais.
“Havia aqui um pressentimento de que isto podia acontecer. Estávamos no galinheiro quando caiu uma pedra, mas o mais estranho foi o comportamento da gata. É muito ligada a mim e começou a subir para um poste de madeira, sempre a miar e a olhar para o fundo, como se estivesse a chamar-nos para irmos embora”, relatou.
Segundo a moradora, ao longo de toda a semana houve sinais de instabilidade no terreno. Pequenas quedas de terra e pedras foram-se repetindo, num cenário agravado pela chuva intensa das últimas semanas. “Foram três semanas de muita chuva, sempre a cair. Isto acabou por ceder”, disse.
Na manhã seguinte à derrocada, o comportamento do animal voltou a chamar a atenção. “Hoje de manhã, a gata foi à porta, sempre a bater, como que a avisar. Ela anda sempre connosco, mas aqui notava-se que estava inquieta”, acrescentou.
Apesar do susto, Fernanda Fernandes garante que, para já, se mantém na sua habitação, embora reconheça os riscos. “Esta é uma zona de risco, isso nós sabemos. Mas é o meu lugar. Se os técnicos disserem para sair, saio. Caso contrário, fico”, afirmou.
A ligação ao sítio é forte e marcada por memórias familiares. “Já perdi os meus pais e, há três meses, o meu filho. Isto é o que me resta. É aqui que quero estar”, disse, emocionada.
Na zona afectada vivem várias famílias, ainda que dispersas. Algumas já tomaram precauções, mas a maioria aguarda pelas indicações das autoridades, numa altura em que os técnicos continuam a avaliar a estabilidade da encosta.
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