Arranca segunda audiência do processo contra Maduro em Nova Iorque
A segunda audiência do processo contra o líder venezuelano deposto Nicolás Maduro e a mulher, acusados de crimes relacionados com o narcotráfico, está a decorrer hoje num tribunal federal de Nova Iorque.
Maduro e Cilia Flores, sentados ao lado dos advogados de defesa, usavam auscultadores para ouvir a tradução dos termos discutidos durante a audiência, informou a estação CNN.
A audiência, que decorre cerca de três meses depois da captura de Maduro e Flores durante uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas, destina-se principalmente a resolver questões processuais.
O juiz responsável pelo caso, Alvin Hellerstein, de 92 anos, entrou na sala do tribunal pelas 11:45 (15:45 em Lisboa), 45 minutos depois da hora prevista para o início da audiência.
Barry Pollack, um dos advogados de Maduro e Flores, disse ao magistrado que os clientes não têm condições de pagar a defesa por conta própria e "têm todo o direito de utilizar" fundos do Governo da Venezuela, relatou a CNN.
Os advogados do ex-casal presidencial venezuelano solicitaram recentemente ao juiz a rejeição das acusações, alegando que o Governo dos Estados Unidos revogou as licenças que permitiam utilizar fundos venezuelanos para suportar os custos da defesa, o que classificaram como um "erro administrativo".
Maduro e Flores chegaram ao tribunal federal de Nova Iorque, em Manhattan, esta madrugada, pelas 04:00 (08:00 em Lisboa), numa caravana de veículos que integrava três carrinhas fechadas e sem janelas.
O antigo homem forte da Venezuela foi capturado a 03 de janeiro em Caracas, juntamente com a mulher, numa operação militar do Exército norte-americano que envolveu cerca de 150 aviões e helicópteros, além de tropas no terreno.
Maduro é acusado nos Estados Unidos de quatro crimes: três de conspiração para cometer narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de metralhadoras e engenhos explosivos; e um quarto crime de posse de armas. Cilia Flores, por sua vez, está acusada de dois crimes.
Na primeira comparência, a 05 de janeiro, Maduro declarou-se inocente e classificou-se como um prisioneiro de guerra.
Os especialistas anteveem que o julgamento formal só terá início daqui a um ou dois anos, altura em que o juiz Hellerstein terá 94 anos.
Maduro, tal como a mulher, está detido no Centro de Detenção Metropolitano, uma prisão federal conhecida pela sobrelotação e pelas más condições.