EUA ponderam abrandar campanha militar e só intervirão em Ormuz se solicitado
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que pondera abrandar a campanha militar contra o Irão e que só intervirá no Estreito de Ormuz se tal for pedido pelos países que o utilizam.
"Estamos muito perto de atingir os nossos objetivos, enquanto ponderamos reduzir os nossos grandes esforços militares no Médio Oriente face ao regime terrorista do Irão", afirmou Trump numa publicação na rede social Truth, após vários media norte-americanos terem noticiado o envio de novos meios para a região.
O Presidente enumera cinco objetivos definidos, começando por "degradar completamente a capacidade de mísseis iranianos e seus lançadores", "destruir a base industrial de defesa" da República Islâmica e "eliminar a sua Marinha e Força Aérea, incluindo armamento antiaéreo".
Outros objetivos elencados são impedir que o Irão "se aproxime de desenvolver capacidade nuclear e estar sempre em condições de permitir que os EUA reajam de forma rápida e eficaz a tal situação, caso esta se verifique", e, finalmente, "proteger, ao mais alto nível", os aliados norte-americanos do Médio Oriente, incluindo Israel, Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait.
"O Estreito de Ormuz terá de ser guardado e policiado, conforme necessário, por outras nações que o utilizem --- os Estados Unidos não o fazem! Se for solicitado, ajudaremos esses países nos seus esforços em Ormuz, mas tal não deverá ser necessário uma vez erradicada a ameaça iraniana", adiantou Trump.
"É importante salientar que será uma operação militar fácil para eles", adiantou o Presidente norte-americano, no mesmo dia em que chamou os países da NATO de "cobardes" por não acederem ao seu pedido para enviarem meios navais em apoio a operações no Estreito de Ormuz, quando passam quase três semanas desde o lançamento de uma ofensiva aérea dos Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, contra a República Islâmica.
Em resposta, o Irão dirigiu desde então ataques com mísseis e drones contra Israel e países vizinhos do Golfo, ao mesmo tempo que colocou sob ameaça militar o Estreito de Ormuz, por onde transitavam antes da guerra 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo, fazendo disparar os preços internacionais.
Vários órgãos de comunicação social norte-americanos noticiaram hoje o envio de milhares de soldados adicionais dos Estados Unidos para o Médio Oriente.
Segundo o Axios, que cita quatro fontes diretamente envolvidas no assunto, em causa poderá estar o início de operações terrestres no Irão.
O Wall Street Journal informou hoje que Washington enviará para a região entre 2.200 e 2.500 fuzileiros navais baseados na Califórnia, com capacidade para realizar operações anfíbias.
A cadeia televisiva CNN, citando dois responsáveis militares sob anonimato, noticiou pelo seu lado que milhares de fuzileiros e marinheiros norte-americanos estão a caminho do Médio Oriente.
A televisão norte-americana refere que a 11.ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais e o Grupo Anfíbio de Prontidão Boxer, inicialmente programados para serem destacados para a região do Indo-Pacífico, tiveram a sua deslocação redirecionada e acelerada, devendo agora seguir para o Médio Oriente.
Quando questionado sobre estas informações, o Corpo de Fuzileiros respondeu apenas que as unidades em causa estavam "desdobradas no mar".
Na semana passada, o The Wall Street Journal noticiou que a Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais 31 (MEU-31) e o Grupo Anfíbio Tripoli, que estava estacionado no Japão, se dirigiam para o Médio Oriente. Na terça-feira, encontravam-se perto de Singapura.
As unidades expedicionárias de 'marines' são forças de resposta rápida compostas por cerca de 2.200 fuzileiros e marinheiros.
Juntamente com o grupo de assalto anfíbio, o número ascende a cerca de 4.500.
Possuem também componentes de combate terrestre e aéreo, e algumas unidades são treinadas para sustentar operações especiais durante semanas seguidas de forma autónoma.
A guerra conheceu esta semana uma nova escalada, no seguimento do bombardeamento israelita contra o campo de gás iraniano de South Pars, que levou a uma resposta imediata através de ataques contra instalações energéticas de vários países do Golfo, colocando ainda mais pressão sobre os preços dos bens petrolíferos.
Os Estados Unidos atacaram na semana passada a ilha de Kharg, mas, segundo a agência oficial de notícias iraniana Fars, não foram registados danos nas instalações petrolíferas.
Na quinta-feira, o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, comentou que uma ofensiva em Kharg permitiria aos Estados Unidos assumirem o controlo do destino da República Islâmica.