Governo de Cuba diz que sistema político não é objecto de negociação
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Cubo, afirmou hoje que "o sistema político cubano não é objeto de negociação", tal como nenhum dos cargos governamentais, numa resposta a ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump.
Questionado sobre as negociações com os Estados Unidos numa conferência de imprensa, Carlos Fernández de Cossío evitou dar detalhes sobre o seu andamento e indicou que estes assuntos são "muito sensíveis" e que Havana está a tratá-los "com discrição".
"Posso confirmar categoricamente que o sistema político cubano não é objeto de negociação, nem, evidentemente, o presidente ou qualquer cargo do Governo é objeto de negociação, seja com os Estados Unidos ou com qualquer outro país", afirmou.
O vice-ministro classificou como "totalmente inaceitável para Cuba" qualquer pretensão de "apagar a independência" da ilha.
De Cossío reiterou que o Governo cubano está aberto ao diálogo com Washington, sobretudo sobre questões bilaterais que seriam de benefício mútuo. Referiu, entre outras, a colaboração em matéria de segurança face ao tráfico de droga e ao crime organizado.
Afirmou que a "posição sustentada" do Governo cubano é a disponibilidade para o diálogo com os Estados Unidos, algo que não vai mudar "apesar do aumento da hostilidade" de Washington.
"Não vemos outra via" para resolver as nossas diferenças, disse.
Acrescentou que o Governo cubano está convencido de que, apesar das "diferenças bilaterais", ambos os países podem manter uma "relação respeitosa".
"Cuba não representa uma ameaça para os EUA", afirmou o vice-ministro, que criticou a "política impiedosamente agressiva" de Washington em relação à ilha, o "boicote energético efetivo" em vigor desde o final de janeiro e as recentes "ameaças ilegais e ilegítimas".
Os jornais norte-americanos Miami Herald e The New York Times publicaram nos últimos dias informações indicando que o Governo norte-americano estaria a procurar, no âmbito das negociações com Havana, um substituto para o Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, visto como um obstáculo a um entendimento.
A Casa Branca e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, negaram estas informações.
Por seu lado, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou recentemente que seria para ele uma honra poder tomar Cuba e que poderia fazer com a ilha o que quisesse.
Diaz-Canel criticou duramente estas afirmações, lamentando que o seu país seja ameaçado diariamente.