Israel suspende ajuda da Unicef a Gaza devido a "tentativa de contrabando"
Israel anunciou hoje a suspensão da entrada da ajuda humanitária enviada através do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) com destino à Faixa de Gaza, proveniente do Egito, após ter frustrado "uma tentativa de contrabando".
Esta tentativa foi detetada no posto de passagem de Kerem Shalom, entre Israel e Gaza, por onde transita e é inspecionada a ajuda proveniente do Egito, segundo o COGAT, organismo do Ministério da Defesa israelita responsável pelos assuntos civis nos territórios palestinianos ocupados.
O COGAT anunciou, num comunicado, a suspensão "na sequência de uma tentativa de contrabando de tabaco e nicotina em cargas de ajuda provenientes do Egito e coordenadas pela Unicef".
No final de janeiro, o vice-diretor da Unicef, Ted Chaiban, denunciou a "situação extremamente precária" das crianças em Gaza e na Cisjordânia, após uma viagem à região na qual constatou que "centenas de milhares de famílias continuam a viver em abrigos temporários, expostas ao frio, à chuva e à desnutrição".
"Falo-vos com esperança e preocupação após esta visita. (...) Pela primeira vez em muitos meses, há sinais de que um cessar-fogo, imperfeito, frágil, mas vital, está a fazer a diferença na vida de mais de um milhão de crianças. Desde que o acordo entrou em vigor, temos assistido a melhorias que têm impacto na vida das crianças", disse o representante, em 26 de janeiro, numa conferência de imprensa realizada em Nova Iorque.
"O cessar-fogo permitiu que a ajuda humanitária chegasse ao país, mas o progresso continua frágil e muitas vidas estão à beira do colapso", alertou na mesma ocasião.
O representante da Unicef observou que "mais de 100 crianças morreram desde o cessar-fogo", enquanto "100.000 continuam desnutridas".
Só em 23 de janeiro é que a organização da ONU pôde entregar material escolar às crianças do enclave palestiniano.
Um acordo de cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025 entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, colocando fim a dois anos de guerra no enclave, desencadeada pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do grupo extremista no sul do território israelita, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.
Em retaliação dos ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 72 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
Desde outubro de 2023, as organizações humanitárias presentes em Gaza denunciam regularmente entraves ao encaminhamento dos bens necessários às suas operações de ajuda, incluindo material escolar destinado às crianças.