IA vai ajudar a optimizar gestão do sistema educativo
O ministro da Educação defendeu hoje que o recurso à inteligência artificial na administração escolar vai permitir otimizar processos e "eliminar as desvantagens de um sistema altamente centralizado", uma reforma que pretende concluir até final de 2027.
"Temos um dos sistemas educativos mais centralizados do mundo e a vantagem de um sistema altamente centralizado é permitir consolidar bases de dados e sistemas de informação, mas os dados gerados por esses sistemas de informação não são aproveitáveis", começou por afirmar Fernando Alexandre.
O ministro da Educação, Ciência e Inovação falava no encerramento de uma conferência sobre "Educar e Aprender na Era da Inteligência Artificial", no âmbito do TECH_EDU, um evento paralelo à Futurália, dedicado à transição digital no ensino.
Fazendo uma espécie de diagnóstico do sistema de administração escolar, que considerou "'super' ineficiente", o governante entende que existe margem para ultrapassar as várias desvantagens que identifica num sistema centralizado, em particular no que respeita aos concursos de colocação de professores.
Por isso, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação está a rever procedimentos e o objetivo é integrar a tecnologia, como a inteligência artificial, nos sistemas de informação para otimizar processos e "eliminar as desvantagens de um sistema altamente centralizado".
"Temos pessoas nos serviços centrais a analisar, à mão, milhares e milhares de processos em papel", exemplificou, defendendo a necessidade de espírito crítico para "eliminar processos inúteis".
"Este é o primeiro grande desafio: como é que nós vamos usar a inteligência artificial para gerir bem este sistema educativo. É nisso que estamos a trabalhar", acrescentou, adiantando que o objetivo do Governo é concluir essa reforma até ao final de 2027.
O passo seguinte será discutir o papel da inteligência artificial na qualidade do sistema educativo, continuou o ministro, que defendeu que essa é uma tecnologia que os professores não podem ignorar.
Alertando para o risco do aprofundar desigualdades se a igualdade no acesso à inteligência artificial não for assegurada, Fernando Alexandre sublinhou que as competências digitais serão cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho, mas afirmou, por outro lado, que "há dimensões da inteligência que não podem ser artificiais".
"No sistema educativo, temos que dar muito espaço para essa diferença e para o desenvolvimento de capacidades", disse, sublinhando a importância de "garantir a sociabilidade na escola".
Nesse contexto, e na sequência da proibição do uso de 'smartphones' até ao segundo ciclo, Fernando Alexandre disse ainda que o governo está a preparar uma reforma dos espaços escolares fora da sala de aula, pensando precisamente no desenvolvimento de competências fundamentais para o futuro.
A propósito das regras sobre a utilização de 'smartphones', o ministro disse, em declarações aos jornalistas, que a implementação da medida está a ser monitorizada e será divulgado um estudo, no final do ano letivo, que permitirá comparar as escolas que optaram por proibir também no 3.º ciclo e aquelas que não o fizeram.
Fernando Alexandre foi também questionado sobre o inquérito da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) a dois diretores após presenças de 'influencers' nas escolas, ainda sem conclusões.
O Governo criou um grupo de trabalho para elaborar orientações, até ao final do mês, no sentido de os diretores proibirem atividades contrárias aos fins educativos, mas ainda hoje a IGEC deverá enviar às escolas informações sobre as responsabilidades dos diretores atualmente previstas no que respeita à entrada e participação em atividades escolares de pessoas externas à escola.
A 17.ª edição da Futurália, a maior feira de educação e formação arrancou hoje na Feira Internacional de Lisboa, com centenas de opções de cursos superiores e formações.
O ministro da Educação esteve presente na inauguração e visitou a feira, onde estiveram, durante a manhã, milhares de jovens.
Com dois pavilhões dedicados ao ensino superior, profissional e no estrangeiro, e um terceiro pavilhão dedicado ao emprego e empregabilidade, mestrados, pós-graduações e formação executiva, estão representadas perto de 400 entidades, desde instituições de ensino superior, empresas e academias de formação.