Chega diz ter garantia de que situação na câmara de São Vicente "não é motivo de alarme"
O líder do Chega/Madeira admitiu hoje que a crise política na Câmara de São Vicente, a única liderada pelo partido na região, gerou alguma preocupação, mas que o presidente do município lhe garantiu não haver motivo para alarme.
Em declarações à agência Lusa sobre o facto de o presidente da Câmara de São Vicente, José Carlos Gonçalves, eleito pelo Chega, ter retirado os pelouros aos dois vereadores do partido, Miguel Castro disse ter sido "apanhado de surpresa", acrescentando, porém, que o autarca daquele município o tranquilizou afirmando que era "uma fase um bocadinho mais complicada, mas que não era motivo para alarme".
Nas últimas eleições autárquicas, em 12 de outubro do ano passado, o Chega ganhou a Câmara de São Vicente com três eleitos, enquanto a coligação PSD/CDS-PP alcançou dois.
Com esta decisão de retirar os pelouros aos dois vereadores do Chega, Helena Freitas e Fábio Costa, o presidente da autarquia, José Carlos Gonçalves, passa a tutelar todas as pastas.
Helena Freitas era responsável pela Mobilidade, Ambiente, Causa Animal, Saneamento Básico, Proteção de Dados, entre outros pelouros, enquanto Fábio Costa tutelava a Educação, Ação Social, Habitação, Turismo, Saúde, Desporto, Cultura, Juventude, Agricultura e Transportes.
Miguel Castro afirmou que esta situação na Câmara Municipal de São Vicente "não implica necessariamente" eleições intercalares" e que, segundo o presidente do município, "não é garantido o chumbo [das propostas] por parte dos vereadores que estão sem pelouro, nem mesmo os da oposição".
"O que me diz o presidente é que as propostas a apresentar são propostas de um programa de desenvolvimento para o concelho e para a população", acrescentou.
Miguel Castro referiu, também, que esta situação dos vereadores sem pelouro poderá ser "efetivamente, ou não, passageira".
A retirada dos pelouros aos vereadores eleitos pelo Chega surgiu depois do vereador Fábio Costa ter votado contra uma proposta que visava a reabertura das grutas do concelho, e Helena Freitas, que não estava na reunião, ter indicado que também teria o mesmo sentido de voto caso votasse.
A proposta foi rejeitada com os votos contra de Fábio Costa e dos dois vereadores do PSD/CDS-PP, registando apenas os votos favoráveis do presidente da Câmara e da vereadora Cláudia Capontes, que se encontrava a substituir Helena Freitas na reunião.
José Carlos Gonçalves tem reiterado que conta com o apoio das estruturas regionais, da assembleia municipal, juntas de freguesia e elementos da autarquia, motivo pelo qual atesta não se sentir isolado, afastando o cenário de eleições intercalares para resolver o diferendo.
O presidente da Câmara de São Vicente considera também que estes dois vereadores deviam renunciar ao mandato e permitir a sua substituição pelos elementos seguinte da lista candidata às autárquicas.