Dia Mundial dos Doentes, de aflitos e lamentações

É bom ouvir: todos ajudam todos, nestas aflições e problemas causados pelos humanos e pelas forças da natureza. A pergunta alternativa que me veio ao pensamento, em vez de o que é que correu mal na prevenção das tempestades e inundações Kristin, pode ser, antes: o que é que está a correr bem? Vê-se: todos ajudam as pessoas afetadas pelas calamidades e fragilidades e doenças. Imersos em sofrimentos de tantos doentes e de tantos idosos a adoecer sobreveio ao país a calamidade, e agora que fazer? Se todos, profissionais e voluntários, ajudam como se observa, passemos dos desânimos depressivos e juntemo-nos a esses para ser mesmo todos a ajudar. Como? Como o Papa Leão XIV (30.01.2026) fez: “a suplicar a Deus para todos o bálsamo da solidariedade e a luz da esperança cristã; e ao conceder-lhes, por intercessão de Nossa Senhora de Fátima, confortante bênção apostólica”. E como o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa D. José Ornelas, e tantos outros bispos, lembraram: “Somos chamados a confiar em Deus e a fortalecer os laços de comunhão e solidariedade entre nós. Cada gesto de ajuda, cada oração, cada presença amiga contribui para a reconstrução e para o alívio do sofrimento”. Não se fique só nas palavras, venham as ações de fazer o bem tanto mais que está a entrar o Leonard e a Marta vem a caminho.

Oração e ação de solidariedade fazem a diferença. Não é isso que se espera e traz esperança da parte de todos os que podem? Os próprios, os familiares, os vizinhos, os dos organismos de ajuda, a Cáritas da Igreja, bombeiros, profissionais de todos os quadrantes, Proteção Civil, empresários, organismos estatais, dioceses, militares, organizações não-governamentais, grupos solidários daqui e dali, cada um como pode. Muitos em ação solidária aumentam o bem comum realizado.

E o Dia Mundial dos Doentes também pede urgência de ação nas relações de proximidade a pessoas doentes, em sofrimento e necessidade. Assim fez o terceiro, (um em três!), o estrangeiro compassivo que se aproximou e se tornou próximo do ferido e roubado no caminho de Jericó; e não os dois nacionais (dois em três!), que passaram ao largo de coração frio e indiferença pelo sofrer do ferido (cf. Parábola, Lc. 10). Os idosos afetados de limitações, fragilidades e doenças estão em aumento progressivo, e os cuidadores formais não estão a aproximar-se deles, a tempo, e as estalagens não dispõem dos mínimos adequados para os acolher e cuidar bem e a tempo. Ficam sem próximos. Promessas de remediar não faltam, muitas vazias, dizem e não realizam, a não ser listas de espera-(ança). Para pessoas cansadas, apressadas e atrasadas, os faladores vazios estorvam mais que ajudam.

Celebramos a festa das Cinco Chagas de Cristo há séculos na bandeira nacional, e as palavras: “pelas suas chagas, fomos curados”, avivam a fé de que o sofrimento pode salvar como S. João Paulo II viveu e deixou escrito na sua Carta apostólica Salvifici Dolores. Seguir a Jesus Cristo é viver e “aproximar-se do outro dando-se” como dom de amor e de vida pelo outro como Cristo, nos seus sofrimentos e morte. Ele “entregou-se por nós”, lembra o Papa Leão XIV (Mensagem para 11.02.2026). Deus pôs a todos na vida para amar Cristo e serem próximos ativos dos frágeis, doentes e sãos. Dão-se, e morrem na hora incerta sem perder a vida; a morte não impede viver. “A vida não acaba, apenas se transforma” como a do grão de trigo, no dizer e morrer de Jesus (Jo. 12, 24).

A teologia diz que Deus revela-se pela palavra dos profetas, de Jesus Cristo, a oral e a escrita, e torna-se surpresa quando as pessoas vivem experiências dolorosas de doença e de calamidades. Não é raro que Deus se disfarce naqueles que ajudam os aflitos e os doentes. No meio de tantas experiências de perseguição (um em cada sete cristãos), guerras, inundações e tempestades, (em aumento), crimes de tráfico de seres humanos (pestes sem conta), não faltam outras notícias que podem ser sinais de Deus por perto: 10 mil adultos a pedirem o batismo, na região de Paris, recorde de pedidos de batismo nos EUA, um investigador conhecido que voltou à Igreja a traduzir a Bíblia, os voluntários a aplicar bálsamo nas feridas dos doentes como Cristo mandou, a humanidade pode viver a esperança, mesmo que a tempestade “Marta” venha a seguir. Oremos com Leão XIV: Saúde dos Enfermos, nossa Mãe, de doentes e cuidadores, “fazei que nos abençoem o Pai, o Filho e o Espírito Santo”. E o Sacramento dos Doentes, dia 11de fevereiro, os cure e perdoe.

Aires Gameiro