Ventura recusa apelar ao voto quando há populações afectadas pelo mau tempo
O candidato presidencial André Ventura defendeu hoje que não faz sentido apelar ao voto para a segunda volta das eleições quando as populações estão a lidar com os efeitos do mau tempo, apesar de admitir "riscos políticos".
"Não me parece fazer sentido que a minha mensagem seja de apelo ao voto, parece-me que a minha mensagem deve ser 'resolvam os problemas destas pessoas'", afirmou.
O candidato apoiado pelo Chega falava aos jornalistas antes de uma visita à Adega Monte Novo e Figueirinha, em Beja.
"Agora estamos novamente no meio de uma crise, eu acho que nos devemos focar nisso e sinto que aquilo que tenho dito está a surtir efeito do ponto de vista prático", defendeu.
André Ventura admitiu que esta postura "tem riscos políticos, evidentemente", mas remeteu essa análise para domingo.
"Eu cá estarei para assumir o que aconteça", indicou o também líder do Chega, partido que o apoia na corrida a Belém.
André Ventura considerou que, "quando chegar o momento, as pessoas decidirão quem tem o melhor perfil" para ser o próximo Presidente da República.
"Eu acho que já dei mostras de que tenho o perfil que decide e não de deixar tudo na mesma", salientou.
Na ocasião, o candidato foi questionado sobre declarações do adversário, que acusou Ventura de querer "mudar de regime" e de trazer "cinco anos de turbulência" e de oposição desde Belém contra o primeiro-ministro.
"Eu percebo que quem não tem mais nada para dizer ao país é isso que tem para dizer. Eu tenho muitas coisas para dizer ao país sobre o que é que deve ser feito e o que é que deve ser mudado", respondeu, acusando-o de "dizer só generalidades".
O candidato apoiado pelo Chega considerou que se trata dos "ataques consecutivos, de ataques habituais, que a esquerda faz à direita": "Vem aí a divisão, vem aí o ódio, vem aí a extrema-direita, vem aí o fascismo... Soluções concretas para a saúde, zero, soluções concretas para as tempestades, zero, soluções concretas para a proteção civil, zero, soluções concretas para a justiça, zero".
"No próximo dia 08, os portugueses têm que decidir o que querem. Se querem um presidente que seja isto, a dizer sempre a mesma coisa, ali num ambiente tipo de conversas à lareira, ou se querem alguém que tome mesmo decisões, que faça as coisas e que diga o que tem que ser dito, mesmo que isso às vezes custe ouvir", defendeu.
André Ventura referiu-se também a outra declaração do adversário, em que António José Seguro rejeitou o conceito de exercer "pressão" nos bastidores e "vir para a praça pública" em face de um "dever de lealdade" para com o primeiro-ministro".
"A nossa lealdade primeira é para o povo português", sustentou.
Questionado sobre a possibilidade de adiamento da votação face à situação de calamidade, disse que, como candidato, não se deve pronunciar sobre isso "para não criar instabilidade sobre o próprio ato eleitoral".
André Ventura disse esperar que o processo eleitoral decorra "com normalidade", apelou à participação dos eleitores das zonas afetadas pelo mau tempo, mas reiterou que essa não é uma preocupação neste momento.
Sobre a denúncia do mandatário para a diáspora de Seguro sobre o "transporte indevido de eleitores, com oferta de bens alimentares", por uma empresa, para votarem em Paris, o candidato apoiado pelo Chega defendeu que "quando se perde arranja-se todos os motivos para inventar coisas" e que "o PS devia ter vergonha na cara".
Ventura visitou a exploração da Figueirinha, empresa que se dedica à produção de vinho e azeite e que sentiu também ali o impacto do mau tempo, com 40 hectares de vinha alagados, havendo o risco de as plantas poderem apodrecer face à saturação de água no solo.
Dentro da empresa, o candidato ouviu a explicação de José Gonçalves, diretor de enoturismo, sobre o processo de produção de vinho, provou azeite, levou duas garrafas consigo e ainda viu a panóplia de marcas que a empresa produz, algumas com nomes sugestivos: "Não te rales", "Amnésia" e "Moenga" (um regionalismo alentejano para 'chatice').
Para a campanha, disse preferir ficar com o "Não te rales", sugerindo o "Amnésia" para o seu adversário, que "já tem grandes doses de amnésia".
Junto a garrafas de espumante, o candidato preferiu não levar nenhuma para domingo, que "a festa só se faz depois da vitória".
"Eu não gosto de festa antecipada", disse.