Mau tempo obriga a retirar mais de 100.000 pessoas no noroeste de Marrocos
Mais de 100.000 pessoas foram retiradas desde sexta-feira no noroeste de Marrocos, principalmente por precaução, devido a chuvas intensas que levaram as autoridades a colocar várias províncias em alerta meteorológico, anunciou hoje o Ministério do Interior.
A Direção-Geral de Meteorologia (DGM) emitiu na terça-feira um alerta vermelho, prevendo chuvas intensas, por vezes tempestuosas, com acumulações de até 100 a 150 milímetros em alguns locais.
Segundo o ministério, dado o "perigo e a extensão dos danos esperados", um total de 108.423 pessoas foram retiradas entre sexta-feira e a manhã de hoje na província de Larache, localizada a menos de 100 quilómetros a sul de Tânger, e em áreas vizinhas.
Um número que mais do que duplicou em 24 horas, com as autoridades a reportarem cerca de 50.000 pessoas retiradas na terça-feira.
A maioria dos envolvidos provém da localidade agrícola de Ksar El Kebir (com 120.000 habitantes), onde, segundo as autoridades, 85% da população abandonou a área, seja como parte das evacuações decididas pelas autoridades ou por iniciativa própria.
Também foram retiradas pessoas em províncias vizinhas localizadas nas planícies de Loukkos e Gharb, na foz dos rios Loukkos e Sebou, no Oceano Atlântico, entre as mais importantes do país.
A barragem de Oued El Makhazine, a cerca de dez quilómetros de Ksar El Kebir, atingiu uma taxa histórica de enchimento de 146,85%, informou hoje o Ministério do Equipamento e Água.
Dada a situação, "foram realizadas operações preventivas e de libertação gradual" de água, afirmou.
Perante os riscos meteorológicos, as autoridades suspenderam as aulas em várias cidades e apelaram à população para que respeite "rigorosamente" as instruções de retirada "para preservar vidas humanas".
Em meados de dezembro, 37 pessoas morreram em Safi, na costa atlântica, durante cheias repentinas, o maior número na última década devido ao mau tempo no país.
Em Marrocos, os abastecimentos de água registados nos últimos cinco meses excederam a média anual dos últimos dez anos, indicou o Ministério da Água à agência France-Presse (AFP) no final de janeiro, enquanto o país sofre de uma seca severa há sete anos.