Capitã Inês Nunes despediu-se "abraçada por todos"
A capitã da seleção portuguesa de polo aquático, Inês Nunes, despediu-se da carreira internacional, na segunda-feira, diante da Alemanha, durante o Europeu que decorre no Funchal, e fê-lo "abraçada por todos", após 107 internacionalizações e dois Europeus.
"Tenho de destacar a segunda-feira. Senti-me completamente abraçada por todos, agradeço muito a quem teve este trabalho, porque vou com o coração cheio", declarou Nunes, de 38 anos, quando questionada sobre um ponto alto ao serviço da seleção.
Na segunda-feira, pouco depois de o triunfo alemão por 13-12 confirmar o 12.º lugar para Portugal, a pivô do Benfica foi homenageada pela Federação Portuguesa de Natação (FPN) e presenteada com um vídeo feito pelas colegas de seleção.
A European Aquatics, organismo de cúpula dos desportos aquáticos no continente, também assinalou o final da carreira, e a jogadora recebeu várias ovações de pé durante o momento.
Após 107 internacionalizações e de ter estado em dois dos quatro Europeus em que Portugal participou, em 2016 e este ano, Nunes diz que, nesta fase, "voltava a repetir" e que dava "tudo para ter menos 10 anos e continuar a jogar mais uns aninhos".
"Acima de tudo, é o amor por este desporto. Depois, se calhar, ainda mais do que isso foram as pessoas com quem me cruzei. Se não me tivesse cruzado com pessoas que acrescentam algo, que me fizesse sentir bem, não continuaria. Diria que o que me fez continuar até hoje foram as pessoas", nota.
O sentimento, tinha dito na segunda-feira, é de "dever cumprido", tendo deixado um grupo de atletas "muito novas, com muito para crescer e tudo para evoluir", nas quais acredita "muito".
Uma próxima capitã, refere, será uma escolha da equipa técnica, sem avançar nomes -- "quem for escolhida, desempenhará o papel tão bem ou melhor do que eu".
"Acredito que, agora, é passar este sentimento de abandono, de orfandade, e a equipa técnica vai estudar e perceber quem é a melhor, ou as melhores, para levar a equipa aonde queremos", acrescenta.
Quanto à questão de se manter ligada ao polo aquático após pendurar a touca, e sobretudo à seleção, Nunes diz que vai estar sempre ligada à modalidade que ama, sem se "ir embora".
"Continuarei a estar atenta e a acompanhá-las da forma que puder", afirma, sem responder a perguntas sobre funções, porque precisa "de férias".