Espólio de Manuel Nicolau vai além do livro
Filho destaca dimensão e preservação do arquivo fotográfico
O livro Manuel Nicolau, Retratos mostra apenas uma parte do vasto espólio fotográfico deixado pelo fotojornalista madeirense, afirmou Nuno Nicolau, filho do autor, à margem da apresentação da obra, na Casa-Museu Frederico de Freitas. A preservação e valorização deste acervo, sublinhou, era um desejo pessoal do pai.
Segundo explicou, existe um conjunto muito mais alargado de negativos e diapositivos guardados em casa da família, devidamente conservados e desumidificados. As imagens abrangem o fotojornalismo e o registo da vida social e histórica da Madeira, incluindo acontecimentos como o 25 de Abril, com temáticas recorrentes ligadas à pesca, agricultura, artesanato e cenas de sociedade.
Nuno Nicolau destacou ainda o rigor técnico do fotógrafo, que trabalhava com filme em rolo, planeava cuidadosamente a luz e fazia ele próprio o trabalho de laboratório. A partir da pré-reforma, Manuel Nicolau iniciou a digitalização do arquivo, tendo convertido cerca de 40 mil imagens, com tratamento digital que salvaguarda a qualidade para futuras reproduções.
A selecção inicial das fotografias do livro foi feita pelo próprio autor, embora a organização final tenha resultado de um trabalho de curadoria. Apesar das incertezas quanto ao futuro do papel, Nuno Nicolau defendeu a fotografia impressa como expressão artística.