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Madeira

A intempérie que deixou a Madeira irreconhecível aconteceu há 16 anos

‘Canal Memória’ recua até 2010

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Continua na memória de muitos. Aliás, dificilmente se esquece o dia 20 de Fevereiro de 2010, quando a força da água tudo arrastou na ilha da Madeira. Os estragos registaram-se por toda a ilha e as vítimas mortais não devem ser esquecidas.

‘Tragédia’. Essa era a única chamada de primeira página no dia 21 de Fevereiro de 2010, referente à aluvião que assolou a Região. As imagens eram impressionantes e o balanço apontava já para 32 mortos, 101 feridos, 250 desalojados e 55 mm de precipitação numa hora.

O trabalho jornalístico foi dificultado pelas parcas condições de trabalho e de acesso à redação. Mesmo assim, foi possível dar conta da tragédia que tinha ocorrido na Região. O centro do Funchal estava irreconhecível, coberto de lama, com lojas e estabelecimentos comerciais destruídos, carros amontoados pois tinham sido arrastados pela força da água e estradas intransitáveis.

11 fotos da tragédia do 20 de Fevereiro, para não esquecer as lições do passado

Há 11 anos, num sábado com alerta amarelo, acabou por chover tanto como num Inverno inteiro e a Madeira sofreu uma enorme tragédia: 47 pessoas morreram, quatro desapareceram e houve mais de 200 feridos. As sequelas tardam em cicatrizar

O Hospital Dr. Nélio Mendonça activou o plano de resposta a catástrofes, tendo registado a entrada de cerca de 100 pessoas feridas.

As pessoas desalojadas foram encaminhadas, na sua maioria, para o Regimento de Guarnição n.º 3 (RG3). As histórias contadas eram de autênticos momentos de pânico e de aflição. Havia relatos de pessoas soterradas e mortas.

Na Rua Pedro José de Ornelas, conhecida como Rua da Pena, morreram várias pessoas arrastadas pela força da água, entre elas uma criança. A enxurrada vinha da Estrada Luso-Brasileira e transformou essa via numa autêntica ribeira.

Mas não só o Funchal sofreu com a intempérie. O Curral das Freiras ficou completamente isolado. No Jardim da Serra foi confirmada a morte de uma mulher levada pela enxurrada.

Da Ribeira Brava, de Santa Cruz, de Machico também chegavam relatos de momentos de pânico entre a população e do muito trabalho que os bombeiros tiveram.

As comunicações acabariam por ‘entupir’ sendo impossível contactar-se via telefone fosse com quem fosse. Até as forças de socorro tiveram de se socorrer de outros meios para conseguir comunicar.

O DIÁRIO dava também conta da incúria dos curiosos que, apesar das poucas condições de segurança, teimavam em dirigir-se ao centro do Funchal para tentar perceber o que se estava a passar.

José Sócrates dirigiu-se à Madeira para se inteirar ‘in loco’ do que tinha sucedido e reunir com Alberto João Jardim.