Miguel Castro afirma que saída dos vereadores é "alívio político"
O presidente do Chega/Madeira, Miguel Castro, afirmou hoje que a passagem dos vereadores eleitos pelo partido à Câmara do Funchal a independentes é um "alívio político", argumentando que desrespeitaram a disciplina partidária.
"Isto para o Chega é um alívio político, porque termos vereadores que desrespeitam a disciplina partidária é igual a não termos nada", disse Miguel Castro, em declarações à agência Lusa.
Chega perde todos os vereadores no Funchal
Luís Filipe Santos acompanha decisão de Jorge Afonso Freitas e também cessa de imediato a sua militância no partido
Os dois vereadores eleitos pelo Chega à Câmara Municipal do Funchal, Luís Filipe Santos e Jorge Afonso Freitas, vão passar a exercer o mandato como independentes, confirmaram hoje os próprios, justificando a decisão com divergências com a estrutura regional do partido.
Numa reação a esta decisão, Miguel Castro acusou os dois eleitos de utilizarem o Chega para se promoverem, defendendo que, "se renegam a estrutura partidária, também deviam de renegar o mandato".
O também líder parlamentar do partido na Assembleia Legislativa da Madeira referiu que, na votação do orçamento municipal, por exemplo, os vereadores tiveram a indicação da estrutura regional para votarem contra, mas acabaram por se abster.
Miguel Castro afirmou ainda que Luís Filipe Santos e Jorge Afonso Freitas "saíram do PSD, mas o PSD não saiu deles", acrescentando que "o Chega foi eleito para ser oposição à governação e não para ser uma bengala da governação".
Além disso, referiu também, o Chega pediu um parecer independente que concluiu que as funções de vereador e de inspetor da Autoridade Regional das Atividades Económicas (ARAE) desempenhadas por Luís Filipe Santos são incompatíveis.
Luís Filipe Santos e Jorge Afonso Freitas já tinham admitido recentemente a possibilidade de passarem a vereadores independentes, depois de o presidente do Chega/Madeira lhes ter imposto uma assessora.
Chega perde vereador
Conheça os destaques desta quarta-feira em mais uma edição do DIÁRIO
O Diário de Notícias da Madeira revelou na edição imprensa de hoje que Jorge Afonso Freitas comunicou a desfiliação do Chega e a sua passagem a vereador independente na Câmara Municipal do Funchal.
Em declarações à agência Lusa, o autarca confirmou a decisão, indicando que solicitou, na terça-feira, a cessação imediata da militância do partido liderado por André Ventura.
Jorge Afonso Freitas disse que o presidente do Chega/Madeira já tinha retirado a confiança nos vereadores da Câmara do Funchal em declarações recentes à comunicação social, tendo os dois eleitos ponderado passar a independentes.
A direção nacional do partido garantiu, depois, que "estava tudo sanado" e que tinham "todas as condições para continuar a trabalhar", apontou o vereador, acrescentando, porém, que o Chega regional não adotou a mesma postura e recentemente colocou em causa as competências de Luís Filipe Santos, apontando incompatibilidades no exercício do cargo de vereador com o de inspetor da ARAE.
"O que se passou foi muito grave, o próprio Chega/Madeira fez um parecer contra um outro par do Chega/Madeira, algo que me afetou e não me deixa confortável", declarou.
Depois desta decisão, também o vereador Luís Filipe Santos, que encabeçou a lista do Chega à Câmara do Funchal nas autárquicas do ano passado comunicou a saída do partido e a passagem a vereador independente.
"Infelizmente, os acontecimentos dos últimos tempos confirmam aquilo que se tornou evidente para mim: deixaram de existir condições políticas, éticas e estratégicas para continuar integrado no atual projeto partidário na Madeira", afirmou, numa declaração escrita enviada à comunicação social.
O autarca realçou que não estão em causa divergências pontuais, mas sim "uma degradação o ambiente político interno, da ausência de estabilidade e de um afastamento claro daquilo que devem ser as prioridades de um projeto autárquico sério e responsável".
"Não posso compactuar com práticas, decisões e orientações que considero prejudiciais ao trabalho autárquico e à credibilidade institucional. A política deve servir as pessoas e não jogos internos, conflitos permanentes ou estratégias que enfraquecem a nossa capacidade de intervenção", acrescentou.
Luís Filipe Santos assegurou que continuará a exercer o mandato "com firmeza, autonomia e compromisso absoluto com a cidade" do Funchal.
Nas eleições autárquicas de 12 de outubro, a coligação PSD/CDS-PP alcançou seis eleitos, conquistando a maioria absoluta, o JPP dois, o Chega outros dois e o PS um.
Com esta a decisão de Luís Filipe Santos e Jorge Afonso Freitas, o Chega deixa de ter representantes na Câmara Municipal.