Tem diminuído o número de nados-vivos com teste do pezinho?
No ano passado nasceram 1.743 bebés na Madeira. Sabe quantos testes do rastreio neonatal foram realizados? Será que abrangeu a totalidade destes bebés? E como tem sido a evolução ano a ano?
Embora seja inteiramente gratuito, é facultativo, ou seja depende da opção de adultos. Embora abranja uma infinidade de potenciais doenças congénitas, genéticas ou hereditárias, ainda assim há sempre quem desconfie da ciência ou por uma ou outra razão não aceite tratamento médico. E, por fim, embora seja quase indolor e rápido, haverá sempre pessoas que vejam nessa solução uma agressão a um recém-nascido. Sim, estamos a falar do teste do pezinho, o rastreio neonatal que é feito praticamente - entre o 3.º e o 6.º dia - mal os bebés vejam a luz do dia.
Mas, como referimos na pergunta, será que todas os bebés são testados e 'baptizados' com a pequena pica na sola do pé, na zona do calcanhar? No ano passado nasceram 1.743 bebés na Madeira. Sabe quantos testes do rastreio neonatal foram realizados? Será que abrangeu a totalidade destes bebés? E como tem sido a evolução ano a ano? Mesmo tendo quase certa a resposta à primeira pergunta, a segunda pergunta tem que se lhe diga.
O Programa Nacional de Rastreio Neonatal (PNRN), realiza testes de rastreio em todos os recém-nascidos de algumas doenças graves, é realizado em Portugal desde 1979. O facto de ser opcional, nem todos os pais parecem aceitar que este seja realizado. Desconhecemos as razões alegadas, mas a verdade é que das 1.743 crianças nascidas em 2025 na Madeira, 39 não tiveram o teste do pezinho, o que significa que foram realizados 1.704 testes do pezinho.
Ou seja, 97,7%, basicamente quase 98 em cada 100 bebés recém-nascidos são sujeitos ao teste na Madeira, número de 2025. É um número significativo e que não é de menosprezar, mesmo que confirme que nem todos os bebés são sujeitos ao teste. Mas neste fact-check queremos também saber se esse teste tem aumentado ou crescido de ano para ano.
Antes, uma pequena explicação de um exame que quase todas as pessoas nascidas na Madeira e que tenham 46/47 anos. "Estes testes permitem identificar as crianças que sofrem de doenças, quase sempre genéticas, como a fenilcetonúria ou o hipotiroidismo congénito, que podem beneficiar de tratamento precoce", explica o INSA - Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.
"Os resultados deste rastreio têm sido muito positivos. Mais de 1600 crianças doentes foram rastreadas e tratadas logo nas primeiras semanas de vida, em centros de tratamento especializados evitando-se graves problemas de saúde", sendo listados 10 em Portugal, um dos quais o Hospital Central do Funchal.
"Todas as análises laboratoriais do PNRN são efetuadas num único laboratório, a Unidade de Rastreio Neonatal, Metabolismo e Genética, do Departamento de Genética Humana" no INSA, no Porto. O teste não é gratuito e "dependerá sempre da vontade dos pais. Porém, dado que para todas as doenças estudadas existe tratamento, as vantagens para o bebé e para todo o ambiente em que está inserido são claras e evidentes", alerta.
Podem ser detectadas dezenas de doenças e isso é um facto que só a detecção precoce pode ajudar. Não o fazer deve ser uma opção consciente dos pais. Mas, vamos aos factos. Basta analisar o grafismo em baixo e fica logo com uma ideia de que o teste do pezinho não é realizado em todos os bebés nascidos anualmente.
Em 1986, já alguns anos com o PNRN activo, foram detectados 19 casos de hipotiroidismo congénito e 7 casos de fenilcetonuria entre os 107.681 recém-nascidos, dos quais 3.948 nascidos na Madeira, sendo que 1 bebé foi detectado com hipotiroidismo congénito entre os 3.790 bebés (95%) estudados. Ou seja, 158 ficaram por ser testados.
Dez anos depois (1995), das 3.057 crianças nascidas na Região, 3.042 foram testadas, um total de 99,5%, ou seja a apenas 15 crianças não foram realizados os exames. Em 2013, dos 1839 nascimentos, foram realizados 1.804 testes do pezinho, tendo sido detectado um caso de Hipertiroidismo Congénito e um caso de Doenças Hereditárias do Metabolismo, num total de 60 em todo o país, sendo que a percentagem de testes por recém nascido foi de 98%.
Há ainda o caso curioso - pelo menos os números conferidos entre as duas fontes analisadas (INSA e INE/DREM) assim o dizem -, de 2014 e 2019 com mais testes realizados do que crianças nascidas. Mas passemos aos últimos, sobretudo desde a pandemia de covid-19, em que temos seguramente um indicador claro de redução da percentagem de testes. Depois de atingir os 100% em 2019, quebra para 97,74% em 2020 e a seguir 96,60% em 2021, naquele que é o pior ano, possivelmente desde 1986, quase 4 décadas.
Nos últimos anos, a média voltou a subir para a valores quase totais - 99,6% em 2022, 98,45% em 2023 -, mas baixando nos dois últimos anos para níveis do anos da pandemia - 97,71% em 2024 e agora 97,76%. Ou seja, um ano antes tinham ficado mais crianças por testar, 41, mas tinham nascido mais crianças (+50) e, por isso, realizados mais testes (+48). E mesmo assim, no ano passado, a percentagem de bebés recém-nascidos testados aumentou, ainda que muito ligeiramente.
Em Portugal, no ano passado, foram realizados 87.708 testes do pezinho de 87.732 nascimentos, o que significa uma cobertura quase total (99,97%). E no ano anterior a percentagem até tinha sido maior, 99,98%, mas em 2025 foram realizados mais testes porque também houve mais nascimentos, ao contrário da Madeira.
De resto, desde 1979, o Programa Nacional de Rastreio Neonatal (PNRN) realiza testes de rastreio em todos os recém-nascidos de algumas doenças graves. Mas, por ser opcional, nem os pais aceitam que seja realizado. A verdade é que das 1.743 crianças nascidas em 2025 na Madeira, 39 não tiveram o teste do pezinho, menos 2 que em 2024, mas foram realizados menos testes com ligeiro aumento da percentagem. Ou seja, diminuiu, mas é uma falsa percepção...