Portugal vai enviar em Março novo contingente de 146 fuzileiros para a Lituânia
Portugal vai enviar em março um novo contingente de 146 fuzileiros para operações de instrução militar na Lituânia, visando contribuir para a segurança no flanco leste da Europa, disse hoje à Lusa o chefe da diplomacia portuguesa.
Em declarações à agência Lusa, a partir da capital lituana, Vilnius, o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Paulo Rangel, sublinhou as relações "muito importantes" com o país do mar Báltico, com destaque para as operações militares.
O chefe da diplomacia portuguesa esteve hoje em Vilnius para participar nas cerimónias oficiais do Dia da Independência da Lituânia e para um encontro com o homólogo lituano, Kestutis Budrys.
"A visita tem um propósito, uma vez que nós vamos ter aqui uma força dos nossos fuzileiros, com mais 146 homens, a partir de março. Temos relações muito importantes com a Lituânia, justamente neste plano das operações militares", afirmou Rangel, que chegou ao território lituano vindo da Alemanha, onde participou na Conferência de Segurança de Munique, que decorreu entre sexta-feira e domingo.
Sobre outras questões, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português disse haver vários pontos de convergência entre Lisboa e Vilnius, nomeadamente no quadro da União Europeia (UE) e da NATO, bem como em matérias da atualidade internacional, nomeadamente a invasão russa da Ucrânia.
Rangel, sem avançar pormenores, destacou as discussões sobre o pacote financeiro para o próximo quadro multianual, "onde, obviamente, também há interesses comuns e estratégias a afinar" quer na UE quer na NATO, bem como em temas relacionados com o financiamento multilateral, as questões do alargamento e do financiamento futuro das novas tarefas da União.
"Há pontos de convergência que, olhando a geografia dos dois países, não seria de esperar diretamente, embora nós conhecemos as posições comuns já há bastante tempo, sabíamos que esta convergência existiria. Mas, de facto, há muitos pontos a alinhar, há uma grande mudança geopolítica, há as relações transatlânticas, tudo isso foi aqui, eu diria, visto com um cuidado muito, muito grande", afirmou.
Ainda no âmbito desta visita oficial a Vilnius, marcada por uma agenda apertada, Paulo Rangel teve uma reunião no parlamento local, bem como efetuou uma visita à fronteira com a Bielorrússia, onde obteve, disse, "um conhecimento mais pormenorizado das questões da chamada manipulação da imigração e de como se faz a proteção de [espaço europeu de livre circulação] Schengen".
"Foi todo um programa que tem, de facto, um espetro muito vasto e que permitiu assinar com o Governo lituano um conjunto de pontos comuns, essencialmente a fazer valer, seja no quadro da NATO, seja no quadro em particular, com mais amplitude, da União Europeia", afirmou à Lusa, sem pormenorizar.
Portugal mantém uma presença militar contínua na Lituânia no âmbito das medidas de tranquilização da NATO e defesa do flanco leste, com destaque para o envio de cerca de 170 fuzileiros (em 2025) e aeronaves F-16M.
A missão, focada na prontidão e treino conjunto, reforça a segurança na região báltica e a parceria com as forças locais, estando localizada em Klaipeda, junto ao mar Báltico.
"Haverá oportunidades da vinda de outras autoridades portuguesas, na área da defesa, ao contingente [militar] que aqui está e também naquelas missões regulares que temos feito no Báltico, tal como às forças destacadas hoje na Roménia e na Eslováquia, também com uma expressão quantitativa muito relevante", explicou ainda.
A Lituânia celebra duas datas de independência: o 16 de fevereiro de 1918 (independência do Império Russo) e o 11 de março de 1990 (restauração da independência da União Soviética).
O Dia da Independência (feriado nacional) celebra a assinatura do ato de 1918.