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Universidade Central da Venezuela suspende admissão de novos alunos de português

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O Departamento de Português (DP) da Universidade Central da Venezuela (UCV) suspendeu a admissão de novos alunos para a Cátedra de Língua Portuguesa para o próximo ano letivo que começa em abril, uma decisão que afetará centenas de interessados.

A suspensão, segundo explicou à Lusa fonte do DP, deveu-se ao facto de aquele departamento, adscrito à Escola de Idiomas Modernos, "não ter salas para aulas", dependendo da boa vontade de diversas faculdades daquela que é uma das mais antigas e prestigiadas universidades da Venezuela. "Em abril iniciaremos um novo ano letivo. Infelizmente a direção e o conselho da Escola de Idiomas Modernos tomaram a decisão de não aceitar novos alunos porque somos uma escola sem sede física", disse a coordenadora da Cátedra de Língua Portuguesa à Lusa

Digna Tovar explicou que há 30 anos que o DP tem problemas com a sua sede, estando alojado temporariamente no campus universitário.

Atualmente o ensino de português é a segunda área com maior procura da Faculdade de Humanidade e Educação, depois de Psicologia. No ano passado, o curso recebeu mais de 300 novos alunos. "E lamentável que não possamos receber novos alunos por causa de uma situação que se prolonga desde há 30 anos e que não vemos uma solução. Não temos salas, nem espaços para trabalhar, utilizamos salas emprestadas das faculdades e escolas da Universidade. Por exemplo, a Faculdade de Engenharia, empresta seis salas, no horário em que não têm aulas", relatou.

A coordenadora da Cátedra de Português frisou ainda que é uma situação que acarreia imensas desvantagens, com horários arbitrários. "Temos de recorrer a uma modalidade híbrida. Temos algumas aulas presenciais, poucas, e mais aulas online do que presenciais, porque não temos espaços nem condições para trabalhar", frisou.

Digna Tovar explicou ainda que graças a um acordo com o Camões IP, o Centro de Língua Portuguesa tem um espaço no piso 11 do prédio da Biblioteca Central. "Portugal não tem esta situação muito clara e isto afeta todos os estudantes da Escola de idiomas, os departamentos de inglês, francês, alemão, italiano e português. Ninguém tem espaços para trabalhar, trabalhamos de maneira itinerante, errantes pelo campus (...) as embaixadas deveriam juntar-se, falar com as autoridades da Universidade, para que arranjem uma solução", apelou.

Segundo Digna Tovar "a Universidade é muito grande e há espaços", mas "falta vontade", recordando que os estudantes já fizeram protestos, nomeadamente junto do Conselho Universitário. "Somos ouvidos, há promessas, promessas e promessas, mas depois somos sempre esquecidos. Precisamos mesmo de uma solução. Não é um problema exclusivo dos alunos de português, é da Escola de Idiomas Modernos, que afeta a 3.000 alunos", concluiu.

Em dezembro de 2024, o Departamento de Português da Universidade Central da Venezuela iniciou as celebrações do 30.º aniversário da sua fundação, uma iniciativa que assinalou também os 500 anos do nascimento de Camões.

O departamento foi criado graças a um protocolo de cooperação assinado entre a UCV e o Instituto Camões.

Fundada em 1721, a Universidade Central da Venezuela (UCV) é a universidade pública mais antiga e uma das mais prestigiadas da Venezuela.

O seu campus principal é conhecido como Cidade Universitária de Caracas.

No ano de 2000 foi declarada Património Mundial pela Unesco, devido ao seu valor arquitetónico e cultural.