Pelo menos 10 mortos e 2.503 feridos por violência eleitoral no Bangladesh desde Outubro
Pelo menos dez pessoas morreram e 2.503 ficaram feridas em contexto de violência eleitoral no Bangladesh, nos últimos quatro meses e meio, marcados por confrontos entre fações e conflitos intrapartidários, segundo uma organização não governamental.
De acordo com um relatório da organização sem fins lucrativos Sociedade de Apoio aos Direitos Humanos (HRSS na sigla em língua inglesa), divulgado hoje, registaram-se mais de 700 incidentes de violência relacionados com as eleições, desde outubro de 2025.
As eleições para escolher o próximo Governo do Bangladesh realizaram-se em 12 de fevereiro, tendo dado a vitória ao Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP), na primeira votação organizada desde a insurreição que causou a queda do regime de Sheikh Hasina em 2024.
De outubro até 14 de fevereiro (dois dias após a eleição), "mais de 34 pessoas foram baleadas e foram registados mais de 500 incidentes de vandalismo, incêndios criminosos e saques dirigidos a casas, veículos, estabelecimentos comerciais, escritórios eleitorais e centros de votação", refere-se no documento.
O relatório atribui os casos de violência a confrontos entre simpatizantes de diferentes formações e às disputas entre candidatos.
O balanço da HRSS inclui conflitos intrapartidários, ataques a centros de votação e uma onda de vandalismo que resultou em saques e incêndios de casas, negócios e veículos, além de denúncias de roubos de urnas e episódios de violência de género.
Relativamente ao dia das eleições, 12 de fevereiro, o relatório contabiliza 393 incidentes relativos à votação, incluindo distúrbios em centros eleitorais, roubos de urnas e preenchimento de boletins. A violência afetou especialmente as mulheres, que sofreram assédio repetidamente.
Em relação à violência pós-eleitoral, o relatório refere atos em várias partes do Bangladesh.
Em três incidentes separados, dois jovens foram assassinados em Munshiganj (centro do país) e Bagerhat (sudoeste), e uma criança foi assassinada em Haluaghat (centro norte), indica-se ainda no documento.
A Sociedade de Apoio aos Direitos Humanos exigiu investigações exaustivas e imparciais, pedindo que as futuras autoridades tomem medidas preventivas para pôr fim à violência em futuros processos eleitorais.
O Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP) conquistou a maioria absoluta. O partido liderado por Tarique Rahman obteve 212 dos 300 mandatos em disputa, contra 77 da coligação liderada pelos islâmicos do Jamaat-e-Islami, declarou o primeiro secretário da comissão, Akhtar Ahmed, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).
As eleições foram organizadas por um governo interino liderado pelo prémio Nobel da Paz Muhammad Yunus, formado após a queda do regime de Hasina na sequência de protestos generalizados contra o nepotismo no país asiático.
Hasina, que fugiu para a Índia em 2025, foi condenada à morte à revelia por crimes contra a humanidade por ter ordenado a repressão dos protestos, com quase 1.400 mortos, segundo dados das Nações Unidas.