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A Guerra Mundo

Rússia procura não aumentar tensão no Ártico

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Foto Facebook/ Forsvaret

A Rússia, que invadiu a Ucrânia e é acusada pelos países ocidentais de conduzir ações híbridas de desestabilização na Europa e no mar Báltico, está a procurar não aumentar as tensões no Ártico, indicaram fontes oficiais norueguesas.

"[Os russos) adotam uma estratégia de baixa tensão", declarou à agência noticiosa France-Presse (AFP) o contra-almirante Nils Andreas Stensones, diretor dos serviços de informações externas (NIS) da Noruega.

"Observamo-los e atuam de forma responsável e profissional" na região, afirmou Stensones numa entrevista à margem da Conferência de Segurança de Munique (MSC), que começou na sexta-feira e termina no domingo, quando questionado sobre a atividade da Frota do Norte russa.

A Rússia é acusada por numerosos países ocidentais de realizar operações de desestabilização e de guerra híbrida, nomeadamente no mar Báltico, outra zona de contacto entre a Rússia e os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), por exemplo, através de ataques a infraestruturas submarinas.

"[No Ártico, a Rússia] articula os seus interesses em torno de três ideias: desenvolver as rotas comerciais do Grande Norte, desenvolver as infraestruturas energéticas e preservar a segurança das suas forças nucleares", grande parte das quais está concentrada na região, explicou o contra-almirante norueguês.

Moscovo tem, por isso, de "encontrar um equilíbrio" entre a prossecução desses interesses e a tensão com os países da Aliança Atlântica, resumiu.

Comentando a evolução da Frota do Norte, Stensones salientou que o número de submarinos, um dos pontos fortes da Marinha russa, se mantém estável ou até diminuiu ligeiramente, admitindo, porém, que os navios são "mais eficazes, modernizados, discretos e difíceis de detetar".

Durante o recente episódio de tensão entre os Estados Unidos e a Europa sobre a Gronelândia, que a administração de Donald Trump pretende adquirir, responsáveis norte-americanos acusaram os europeus de não protegerem o Ártico das ações russas e chinesas.

Quanto às movimentações militares chinesas no Ártico, o diretor dos serviços de informações externas da Noruega indicou que a China está "apenas ativa no espaço e no ciberespaço".

"Não observámos mais nada em matéria de atividade militar. O que constatamos é um aumento do número dos seus navios de investigação científica, principalmente na parte oriental do Ártico, perto da vertente do Pacífico", afirmou. 

"Em 2023, tinham um navio de investigação desse tipo na zona, havia três em 2024 e cinco em 2025. Estamos a monitorizar esta situação porque os navios de investigação chineses são sempre de dupla utilização: para fins científicos, mas podem também servir para alcançar objetivos militares", advertiu.