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Ciclone deixa casas, escolas e centros de saúde sem teto no sul de Moçambique

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Foto Lusa

A administradora do distrito moçambicano de Jangamo, em Inhambane, relatou à Lusa infraestruturas sem teto, entre casas, escolas e centros de saúde, na sequência da passagem do ciclone tropical intenso Gezani naquela província do sul de Moçambique.

"É um pouco prematuro falar de dados, a única realidade é que temos algumas infraestruturas escolares, centros de saúde, certas localidades que também teve alguma perda de cobertura", disse à Lusa Cénia Maela, administradora do distrito de Jangamo, um dos mais afetados pelo ciclone.

A administradora avançou que as autoridades estão no terreno, após aguardar que a tempestade abrandasse, para avaliar os impactos do ciclone tropical intenso, que atingiu Inhambane na noite de sexta-feira.

"Estamos a descer ao terreno que é mesmo para aferir, ver a situação da população, como é que estão, os que perderam os seus tetos como é que estão acomodados e todos outros procedimentos ligados à mitigação depois deste ciclone", referiu Cénia Maela.

A responsável prometeu partilhar dados "um pouco mais concretos", mais tarde, sobre a situação do distrito após a intempérie.

"Neste preciso momento não teria muita informação substancial para aferir se o distrito foi mais afetado ou não (...), mas é real que tivemos prejuízos depois do ciclone sim", concluiu.

O ciclone tropical intenso Gezani atingiu a costa de Inhambane na sexta-feira, com vento médio de 200 quilómetros por hora e rajada até 250 quilómetros por hora.

Na última atualização, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) moçambicano previu também o registo de chuvas acima de 150 milímetros em 24 horas, principalmente nos distritos de Jangamo, Govuro, Inhassoro, Vilanculo, Massinga, Morumbene, Homoíne, Panda, Inharrime, Zavala e cidades de Maxixe e Inhambane.

Estavam também previstas chuvas entre 50 e 150 milímetros em 24 horas nos distritos de Mabote e Funhalouro, também em Inhambane, Machanga, em Sofala (centro), e Gaza (sul), principalmente nos distritos de Mandlakazi, Chongoene, Chibuto, Chigubo, Limpopo e cidade de Xai-Xai, já afetada pelas cheias de janeiro.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, apelou na sexta-feira para que as populações se "retirem das zonas de risco" do ciclone Gezani.

"Não temos como travar o ciclone, mas o que nós temos que fazer é minimizar os danos e depois de passar o ciclone precisamos estar no terreno e vamos estar no terreno para podermos avaliar os danos e depois fazermos um plano de recuperação pós-ciclone e pós-cheias ao nível do nosso país", disse o chefe de Estado.

Pelo menos 40 pessoas morreram em Madagáscar durante a passagem do ciclone Gezani, que atingiu com força na terça-feira à noite a segunda maior cidade do país, Toamasina, segundo um novo balanço das autoridades malgaxes.

Moçambique ainda recupera das cheias de janeiro, que provocaram pelo menos 27 mortos e afetaram quase 725 mil pessoas.

Desde outubro, início da época chuvosa, Moçambique registou pelo menos 202 mortos, 291 feridos e 852.285 pessoas afetadas, segundo atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).