Bacia do Mondego está de novo em situação de risco
O rio Mondego voltou hoje a atingir a situação de risco, a exemplo do sucedido no sábado, com um nível hidrométrico acima dos quatro metros na ponte de Santa Clara, na baixa de Coimbra.
A estação hidrométrica de Santa Clara apresentava, pelas 13:00, um nível de 4,08 metros, o mais alto desde o início das inundações na zona do Baixo Mondego.
Segundo dados do portal Info Água, consultados pela agência Lusa, para além da altura de água na ponte de Santa Clara, em nível de risco (vermelho), o débito de água a jusante, na Ponte-Açude, ultrapassou às 12:00 de hoje os 1.900 m3/s e continua a subir.
A barragem da Aguieira também tem vindo a subir a percentagem de água acumulada (cerca de 87%), tendo aumentado a libertação de água, nas últimas horas, para os 725 m3/s, quase o dobro do que se registava às 20:00 de terça-feira.
Por outro lado, ao início da tarde de hoje continuavam a subir os níveis nas pontes da Conraria e Cabouco, no rio Ceira, afluente do Mondego a montante de Coimbra, ambas no nível de alerta (amarelo).
Na ponte do Cabouco, a cerca de cinco quilómetros (km) do ponto onde o Ceira desagua no Mondego, a altura de água atingia, à mesma hora, 3.95 metros, com um caudal de 203 metros cúbicos por segundo (m3/s).
Já na ponte da Conraria, localizada a pouco mais de um quilómetro da foz do Ceira, e onde este rio recebe água de um seu afluente, o Dueça, o nível hidrométrico atingia, às 13:15, um pouco mais de seis metros, para um caudal de cerca de 424 m3/s.
O valor de altura de água na Conraria continua hoje a subir e é superior à anterior altura máxima (5,22 metros registados em 1988), mas, ainda assim, ligeiramente inferior aos valores registados ao final da tarde de terça-feira.
Na noite de terça-feira, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) alertou para "o risco claro" das margens do Mondego -- rio que corre num canal artificial no Baixo Mondego - poderem colapsar e provocarem uma situação de cheia generalizada e descontrolada, face às previsões de forte precipitação.
A situação no Baixo Mondego levou a uma operação de emergência que previa a retirada de cerca de 3.500 pessoas de zonas ribeirinhas dos municípios de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho.
A zona do Baixo Mondego tem, há mais de uma semana, mais de 6.000 hectares inundados nos campos agrícolas do vale central e da ribeira de Foja (margem direita), mas também junto aos afluentes Ega, Arunca e Pranto, na margem esquerda, com alturas de água que chegam aos 2,5 metros em alguns locais.