Noruega aprova comissão parlamentar de inquérito sobre ligações de Epstein a várias figuras do país
O parlamento da Noruega aprovou hoje a criação de uma comissão independente de inquérito para averiguar os laços entre o criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein e várias figuras proeminentes do país, noticiou a imprensa norueguesa.
Desde a princesa Mette-Marit até um antigo primeiro-ministro que se tornou presidente do Comité Nobel, a recente publicação nos Estados Unidos de documentos sobre o caso Epstein evidenciou ligações muito mais estreitas do que se pensava entre o consultor financeiro, condenado por crimes sexuais e pedofilia, e as algumas das principais personalidades norueguesas.
"É absolutamente crucial que a confiança na diplomacia, política e democracia norueguesas seja preservada", disse Per-Willy Amundsen, presidente da comissão parlamentar responsável por garantir o cumprimento da Constituição.
"O grau de seriedade do que foi revelado nas últimas semanas é muito elevado e lança nova luz sobre vários acontecimentos passados", acrescentou, citado pela emissora pública NRK.
Embora o princípio de uma comissão independente de inquérito tenha sido adotado, o mandato, composição e calendário ainda não foram definidos.
O Partido Verde (MDG), que apoia o governo trabalhista no parlamento, está a pedir que a comissão seja presidida pela antiga juíza franco-norueguesa Eva Joly.
De acordo com documentos recentemente publicados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e analisados pelos meios de comunicação social noruegueses, a princesa herdeira Mette-Marit trocou centenas de e-mails, muitas vezes com um tom surpreendentemente íntimo, com Epstein entre 2011 e 2014.
Nesse período, o norte-americano já tinha sido condenado em 2008 por envolvimento com uma menor.
A polícia norueguesa também abriu investigações por "corrupção agravada" contra o ex-primeiro-ministro Thorbjørn Jagland e uma diplomata conhecida, Mona Juul, bem como o seu marido, Terje Rød-Larsen, por cumplicidade.
Em causa estão ligações a Epstein numa altura em que Jagland era presidente do Comité Nobel -- que atribui o famoso prémio da Paz -- e secretário-geral do Conselho da Europa, e quando Juul trabalhou no Ministério dos Negócios Estrangeiros antes de se tornar embaixadora no Reino Unido.
Na Suíça, os organizadores do Fórum Económico Mundial iniciaram uma investigação interna ao seu chefe, o norueguês Børge Brende, que se reuniu com Epstein várias vezes em 2018 e 2019.
Depois de frequentemente minimizarem a sua proximidade com Epstein no passado, várias das personalidades envolvidas, incluindo a princesa Mette-Marit, pediram desculpa e admitiram um "erro de julgamento".
Segundo as conversas agora conhecidas, alguns deles beneficiaram da generosidade financeira ou material de Epstein.
Segundo os meios de comunicação social noruegueses, Jeffrey Epstein deixou uma quantia de 10 milhões de dólares (cerca de 8,4 milhões de euros, ao câmbio atual) aos dois filhos do casal Juul-Rød-Larsen.
Os documentos agora divulgados pelas autoridades dos Estados Unidos resultam da investigação ao financeiro norte-americano Jeffrey Epstein.
Epstein morreu numa cela de prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais nos Estados Unidos de ter abusado sexualmente de dezenas de mulheres, incluindo menores.