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Opositor venezuelano Juan Pablo Guanipa em prisão domiciliária

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FOTO Ronald Pena R/EPA

O opositor venezuelano Juan Pablo Guanipa está agora em prisão domiciliária após ter sido detido na segunda-feira, horas depois da sua libertação, divulgou hoje o seu filho.

O líder opositor venezuelano está na cidade de Maracaibo, capital do estado de Zulia (noroeste), onde cumprirá prisão domiciliária após ter sido detido na segunda-feira, indicou Ramón Guanipa numa mensagem publicada na rede social X.

"Ele está na minha casa em Maracaibo. Estamos aliviados por saber que a minha família estará em breve reunida", escreveu Ramon Guanipa, agradecendo a ação do Governo norte-americano "em prol da liberdade da Venezuela e de todos os presos políticos".

Guanipa, um antigo vice-presidente do parlamento, de 61 anos, tinha sido libertado da prisão, dois dias antes da votação anunciada de uma lei de amnistia histórica na Venezuela.

O Ministério Público da Venezuela indicou, em comunicado, ter pedido a um tribunal a revogação da libertação de Juan Pablo Guanipa por, supostamente, "ter verificado o incumprimento das condições" impostas pelas autoridades judiciais.

Detido em maio de 2025 sob acusações de conspiração eleitoral, Guanipa foi posteriormente indiciado por terrorismo, lavagem de dinheiro e incitação à violência e ao ódio.

A líder da oposição venezuelana e Prémio Nobel da Paz 2025, María Corina Machado, que é próxima de Guanipa, condenou a sua detenção na segunda-feira e garantiu que mantém a intenção de regressar à Venezuela mesmo após a detenção de um opositor aliado.

A organização não-governamental (ONG) Foro Penal, que lidera a defesa jurídica de presos políticos na Venezuela, adiantou também na segunda-feira que confirmou 426 libertações no último mês, desde que o Governo interino anunciou um processo de libertação.

Na sua conta na rede social Instagram, a organização indicou que este número inclui as libertações ocorridas entre 08 de janeiro e segunda-feira, até às 10:00 locais (14:00 em Lisboa).

O ministro do Interior e da Justiça, Diosdado Cabello, tinha declarado em conferência de imprensa que 897 pessoas tinham sido libertadas, embora este número inclua pessoas libertadas desde o final do ano passado.

Já sobre a detenção de Guanipa, Diosdado Cabello criticou a "estupidez de alguns políticos".

As pessoas libertadas "saíram, reencontraram as famílias, até que se manifestou a estupidez de alguns políticos que pensam que podem fazer o que querem (...) violando as condições" da liberdade condicional, afirmou Diosdado Cabello.

Guanipa foi libertado no domingo à tarde juntamente com outro grupo de opositores próximos de María Corina Machado.

Depois disso, liderou, juntamente com outros ativistas políticos, uma caravana de motas e carros que foi para várias prisões apoiar familiares de presos políticos e, horas mais tarde, foi novamente preso.

Ramón Guanipa indicou que pelas 23:45 locais (03:45 em Lisboa) homens não identificados, sem uniforme e armados, levaram o pai depois de intercetar e atingir o veículo em que este viajava com outro grupo de pessoas.

"Perante a agressividade destas pessoas, o meu pai decidiu sair e levaram-no", relatou.