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Madeira

Madeira realizou 280 mil análises de segurança alimentar

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Cerca de 280 mil análises laboratoriais foram realizadas na Madeira, entre 2025 e 2026, a um total de 549 amostras, no âmbito do projecto internacional ALSEMAC, que teve a segurança alimentar como uma das principais áreas de intervenção na Região.

O trabalho, desenvolvido através da Direcção Regional de Agricultura e dos seus serviços laboratoriais, permitiu monitorizar a presença de pesticidas, resíduos de antibióticos, micotoxinas, metais pesados e outros contaminantes, com o objectivo de garantir a qualidade dos alimentos e a confiança dos consumidores.

Os números foram destacados durante o encerramento da reunião internacional ALSEMAC, que decorreu no auditório do edifício do Campo da Barca e reuniu especialistas nacionais e internacionais do sector agrícola.

Presente na ocasião, o secretário regional de Agricultura e Pescas, Nuno Maciel, salientou a importância deste trabalho de controlo, que classificou como "muitas vezes pouco visível", mas essencial para a população.

Quando falamos de segurança alimentar, estamos a falar de saúde pública e da confiança dos consumidores, que são cada vez mais atentos. É necessário uma agricultura mais segura, mais sustentável e mais preparada para os desafios do futuro Nuno Maciel, secretário regional de Agricultura e Pescas

O projecto, que juntou parceiros da Madeira, Açores, Canárias, Cabo Verde, Gana, Costa do Marfim e Senegal, permitiu ainda desenvolver soluções relacionadas com a sustentabilidade agrícola, a valorização de resíduos e a adaptação às alterações climáticas.

Na Madeira, uma das apostas passou pela implementação do Modo de Produção Integrada em pomares de mangueiros, citrinos, anoneiras e abacateiros, através da formação de técnicos e de acções de demonstração junto dos produtores. Foram igualmente desenvolvidos cadernos de campo e iniciado o processo de certificação dos pomares experimentais da Secretaria Regional de Agricultura e Pescas.

Outra das vertentes do ALSEMAC incidiu sobre o aproveitamento de resíduos agrícolas, nomeadamente através da produção de biochar, um material rico em carbono obtido a partir de madeiras de poda de mangueiro e de troncos de palmeiras, que pode ser utilizado para melhorar as características dos solos.

A iniciativa procurou, assim, demonstrar que materiais habitualmente descartados podem ganhar uma nova utilidade na actividade agrícola, contribuindo para uma gestão mais eficiente dos recursos.

Durante a sessão, Nuno Maciel insistiu ainda na necessidade de aproximar a investigação científica dos agricultores, para que o conhecimento adquirido se traduza em soluções práticas e em maior rendimento para os produtores. "Temos apostado no conhecimento para uma agricultura mais forte, quer pela Escola Agrícola da Madeira, quer pela Universidade, com quem temos desenvolvido alguns projectos", referiu, reiterando que esse conhecimento não deve ficar "confinado em laboratórios e gabinetes", mas chegar efectivamente ao terreno.

Resíduos agrícolas transformados em recursos

Outra das áreas trabalhadas foi a valorização dos resíduos agrícolas, através da produção de biochar a partir de madeiras de poda de mangueiro e de troncos de palmeiras.

A iniciativa procurou demonstrar como materiais que habitualmente são considerados resíduos podem ser transformados em recursos com utilidade agrícola, nomeadamente na melhoria dos solos e numa utilização mais eficiente dos recursos disponíveis.

Conhecimento para continuar depois do projeto

A formação foi outra das componentes do ALSEMAC, com o objectivo de reforçar as competências de técnicos e agricultores e facilitar o acesso à informação necessária para uma tomada de decisão mais fundamentada.

O investimento da Madeira no projecto foi de cerca de 281 mil euros, com um co-financiamento FEDER de aproximadamente 239 mil euros.

Para Nuno Maciel, o principal resultado do projecto vai além do investimento realizado e está no conhecimento e na capacidade técnica que ficam na Região. "Não olhemos ao valor do investimento, mas sim ao conhecimento adquirido. Esta foi uma etapa que terá continuidade", concluiu.