easyJet realizou quatro voos além dos serviços mínimos no 1.º dia de greve
O presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) disse hoje que a easyJet realizou quatro voos além dos serviços mínimos no primeiro dia de greve dos tripulantes de cabine.
Em declarações à Lusa, Ricardo Penarroias indicou que foram realizados um voo em Faro, outro em Lisboa e dois no Porto, tendo a operação recorrido, segundo o sindicato, a chefias e, num dos casos, a uma tripulação de outra base europeia.
Segundo o dirigente sindical, permanecia ainda por definir a realização de um outro voo não incluído nos serviços mínimos da paralisação, que começou hoje e se prolonga até terça-feira.
"A nível de cancelamentos não há grandes novidades", afirmou Ricardo Penarroias, recordando que a companhia tinha já cancelado cerca de 80% da operação antes do início da greve.
De acordo com o presidente do SNPVAC, estavam inicialmente programados 428 voos para os cinco dias de paralisação, dos quais 343 foram cancelados.
Fonte oficial da easyJet tinha dito à Lusa que a companhia prevê "operar cerca de 55% da sua programação de voos durante o período de greve".
A transportadora explicou que, embora os serviços mínimos correspondam a cerca de 22% da atividade baseada em Portugal, mantém também voos de e para o país operados por aeronaves e tripulações de outras bases europeias.
Ricardo Penarroias contestou, contudo, a percentagem avançada pela companhia: "Nas minhas contas não são seguramente 50% dos voos que a companhia consegue realizar", afirmou, admitindo que a easyJet possa estar a fazer uma contabilização diferente sobre os voos que permaneceram programados após os cancelamentos.
Sobre as acusações do sindicato relativas à substituição de grevistas, a easyJet assegurou hoje em respostas enviadas à Lusa que opera "em total conformidade com a legislação e regulamentos aplicáveis" e rejeitou "veementemente qualquer alegação de que tenha atuado de forma ilegal ou procurado contornar a greve".
A companhia afirmou ainda que "nunca foi sancionada por conduta ilegal relacionada com a operação dos seus serviços durante períodos de greve".
Ricardo Penarroias disse, por seu lado, que o sindicato irá apresentar as situações que considera irregulares à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e avançar também judicialmente.
"Aquilo que nós temos feito sempre [...] é enviarmos a queixa à ACT", afirmou, acrescentando que o sindicato avançará também com uma ação em tribunal contra a easyJet e dará conhecimento destas situações aos ministérios do Trabalho e das Infraestruturas.
Quanto aos próximos dias de greve, o presidente do SNPVAC disse esperar um cenário semelhante, admitindo novos cancelamentos entre os voos que permanecem programados fora dos serviços mínimos.
"Acreditamos que, com o passar dos dias, a companhia tenha cada vez mais dificuldades em realizar os tais voos fora dos serviços mínimos", afirmou.
Na origem da greve estão, entre outras reivindicações, a estabilidade das escalas, a progressão remuneratória em função da antiguidade e as condições propostas no âmbito da negociação do Acordo de Empresa.
Está ainda marcada uma segunda greve dos tripulantes da easyJet para os dias 19 a 23 de dezembro.