DNOTICIAS.PT
Mundo

Observadores internacionais elogiam sistema de votação e alertam para polarização

None
Foto Raphael Alves/EPA

Observadores internacionais convidados pela Justiça Eleitoral brasileira para acompanhar as eleições consideraram o processo de votação no domingo tranquilo e elogiaram a segurança, transparência e confiabilidade das urnas eletrónicas, embora tenham alertado para os riscos de eventuais interferências externas.

À Lusa, a diretora para a América Latina e o Caribe do International IDEA, Marcela Ríos Tobar, classificou o sistema eleitoral brasileiro como "muito robusto, muito forte, muito confiável, muito transparente", destacando as três décadas de desenvolvimento de um modelo próprio de votação eletrónica.

"É um sistema que dá muita tranquilidade, de que é um sistema que assegura o resultado", afirmou em entrevista, defendendo que os brasileiros "têm que ter confiança neste sistema" e destacando as provas e mecanismos de auditoria existentes.

Também a missão de observação eleitoral do Parlamento do Mercosul (Parlasul) elogiou o sistema eletrónico brasileiro, após acompanhar o início da votação em diferentes locais do país.

O chefe da missão, o argentino Raúl Bittel, disse que os observadores encontraram um início de votação "muito tranquilo", descrevendo o processo como "tranquilo, ordenado" e com participação dos eleitores.

O responsável destacou ainda a transparência das instituições eleitorais brasileiras, que explicaram aos observadores o funcionamento das urnas eletrónicas, a transmissão dos dados e o percurso até à divulgação dos resultados.

A Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral dos Países de Língua Portuguesa(ROJAE-CPLP) também considerou que o processo de votação decorreu de forma tranquila e dentro dos procedimentos previstos na legislação brasileira.

Apesar dos elogios ao processo, os observadores chamaram a atenção para a polarização política e para riscos relacionados com eventuais interferências externas nas eleições e na democracia brasileira.

Marcela Ríos Tobar afirmou que a América Latina voltou a assistir a formas de intervenção internacional "muito direta", apontando os Estados Unidos como exemplo e citando Honduras e Argentina.

"É algo que preocupa porque pode interferir nas decisões soberanas dos países e nos sistemas democráticos", afirmou a responsável, defendendo o respeito pela soberania de cada país.

Questionada sobre eventuais riscos de interferência estrangeira nas eleições brasileiras, a diretora do International IDEA defendeu que denúncias de financiamento irregular de campanhas sejam investigadas pela Justiça Eleitoral.

"Isso é algo que tem que investigar o Poder Judicial, o Tribunal Superior Eleitoral", afirmou, acrescentando que é necessário garantir à sociedade brasileira clareza sobre uma eventual interferência estrangeira.

O senador uruguaio Nicolás Viera Díaz, integrante da missão do Parlasul, adotou uma posição mais cautelosa sobre o tema e afirmou que o organismo não deve pronunciar-se sobre eventuais interferências de governos estrangeiros.

Viera Díaz reconheceu, contudo, que decisões políticas de outros Estados podem condicionar escolhas nacionais, citando aumentos unilaterais de tarifas, decisões diplomáticas e declarações públicas sobre a soberania de outros países.

"Sobre isso prestamos especial atenção", afirmou o senador, acrescentando que a missão não fará, por enquanto, juízos sobre essas questões, que deverão ser abordadas num relatório posterior.

Outro ponto destacado pelos observadores foi a polarização política brasileira. Viera Díaz afirmou que a política do país apresenta uma "alta polarização quanto às ofertas eleitorais".

Marcela Ríos Tobar alertou para o risco de um novo retrocesso democrático, defendendo que todos os atores políticos respeitem a decisão das urnas, independentemente de quem vencer as eleições.

Segundo o chefe adjunto da missão ROJAE-CPLP, João Damião, a entidade limita-se a observar os procedimentos previstos na legislação e a transmitir recomendações aos organismos eleitorais congéneres, sem interferir no processo eleitoral.