Observatório denuncia a morte de mais dois presos com doenças graves na Venezuela
O Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) denunciou esta sexta-feira a morte esta semana de mais dois presos que sofriam de doenças graves, um deles no mesmo dia em que lhe foi concedida prisão domiciliária.
"Ambos os casos levantam sérios questionamentos sobre o atendimento médico e as decisões das autoridades responsáveis por garantir a vida de quem permanece sob custódia do Estado", acusou o OVP em comunicado.
Segundo a organização não-governamental (ONG), um dos presos políticos, Rendy Ramón Ladera Araujo, sofria de leucemia, estava detido no Centro Penitenciário de Occidente I, no estado de Táchira (oeste), e faleceu a 26 de outubro no Hospital Central de San Cristóbal.
"A sua morte soma-se a outros óbitos documentados em 2026 nesse estabelecimento. Em maio, morreu Francisco Orellano e, em junho, Yonny José Bastidas Briceño, que sofria de peritonite aguda e outras complicações de saúde", revelou o Observatório, acrescentando que a capacidade da prisão em causa é de 800 pessoas e nela permanecem detidas 1.300.
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Paulo Neves e Carlos Fernandes reuniram-se com o ex-preso político Jesús Armas, na Assembleia da República, e manifestaram preocupação com a situação de Fernando Venâncio e Juan Francisco Rodríguez dos Ramos
O segundo caso anunciado pela ONG é o de Ildelfonzo Gil, que sofria de cancro avançado no rosto e faleceu na manhã de 27 de outubro numa cela da polícia de Guaiparo, no estado de Bolívar (sudeste), onde se encontrava preso preventivamente.
"O seu advogado tinha solicitado repetidamente ao Tribunal de Violência Contra a Mulher de Puerto Ordáz uma medida humanitária de prisão domiciliária, devido à gravidade da doença", explicou a organização, precisando que "um médico tinha advertido que lhe restavam poucos meses de vida", mas o tribunal negou três pedidos da família.
"O mais alarmante é que, após o seu falecimento, apareceu uma ordem judicial que lhe concedia a prisão domiciliária", disse o OVP, que pediu explicações às autoridades sobre a razão pela qual solicitações anteriores tinham sido negadas e como se explica que a medida tenha surgido quando o detido já tinha morrido.
No comunicado, o diretor do OVP, Humberto Prado, denuncia a sobrelotação das celas da polícia de Guaiparo - superior a 566%, segundo a organização - e facto de o atendimento médico hospitalar exigir autorização judicial prévia, exceto em casos de estrita emergência.
"Nas celas permanecem aproximadamente 850 detidos, apesar de terem sido originalmente concebidas para um máximo de 100 pessoas", explica o responsável, denunciando ainda a circunstância de o encerramento de outras prisões em Bolívar ter contribuído para que as celas das várias polícias locais permaneçam abarrotadas.
O OVP exige investigações imediatas, exaustivas e imparciais para determinar que atendimento médico receberam ambos os detidos e se houve atrasos ou omissões que tivessem comprometido as suas vidas.
O OVP exige ainda que sejam investigadas as mortes associadas à falta de atenção médica e outras alegadas violações dos direitos humanos nas prisões venezuelanas, e que sejam determinadas as responsabilidades correspondentes.