Madeirense que liderava sindicato da PSP condenado a devolver 177 mil euros
Dionísio Câmara foi condenado a quatro anos de prisão com pena suspensa por abuso de confiança agravado quando presidia ao SIAP
O antigo presidente do Sindicato Independente de Agentes da Polícia de Segurança Pública (SIAP), o madeirense Dionísio Câmara, foi condenado pelo Tribunal de Loures a quatro anos de prisão, com pena suspensa, pelo crime de abuso de confiança agravado. O antigo dirigente sindica terá ainda de pagar 177 mil euros ao sindicato, na sequência da utilização indevida de fundos da organização.
A condenação foi proferida na passada sexta-feira. Segundo noticiou o Correio da Manhã, Manuel Dionísio Câmara, terá utilizado a conta bancária do SIAP como se fosse sua, durante pelo menos seis anos, sem conhecimento dos restantes elementos da direcção e dos associados. A situação foi detectada em 2015, depois de o então presidente ter deixado o cargo e a nova direcção ter identificado um desvio de cerca de 120 mil euros, correspondente às quotas de pelo menos 1.500 sindicalistas.
Uma auditoria terá revelado dívidas deixadas pela anterior gestão. Os fundos sindicais terão sido utilizados para suportar despesas pessoais, incluindo compras de supermercado e pagamentos de telecomunicações.
A investigação do Ministério Público culminou numa acusação por abuso de confiança agravado, crime pelo qual o tribunal veio a condenar o antigo responsável sindical.
Segundo a advogada do SIAP, Paula Belo, citada pelo Correio da Manhã, Manuel Dionísio Câmara manteve-se em silêncio durante a leitura do acórdão, mas admitiu os factos durante a produção de prova. “Disse ter feito uso do dinheiro”, afirmou a representante jurídica do sindicato, que aguarda agora para perceber de que forma será concretizado o pagamento da indemnização fixada pelo tribunal.
Também o actual presidente do SIAP, Carlos Torres, considerou que “a justiça confirmou os factos e condenou o responsável”, mas sublinhou que “falta reparar o dano”. “Quem lesou o sindicato, deve restituir na totalidade o que foi desviado”, defendeu, citado pelo CM.
Quando foi destituído das funções sindicais, Dionísio Câmara prestava serviço na divisão CP/Metro do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP. Encontra-se actualmente em situação de baixa médica prolongada e reside na Madeira, de onde é natural.
A RTP noticiou que o agente mantém presença nas redes sociais, com publicações relacionadas com a participação em procissões religiosas nos concelhos do Funchal e de Machico.
O DIÁRIO tentou contactar Dionísio Câmara para obter uma reacção à condenação, mas o polícia encontra-se incontactável.