Sindicato dos Agentes de Polícia alerta para excesso de trabalho suplementar na Madeira
O Sindicato Independente dos Agentes de Polícia (SIAP) alertou hoje para o excesso de trabalho suplementar na Madeira, decorrente do grande número de eventos públicos ao longo do ano, sublinhando que a exceção passou a ser regra.
"Usam os despachos de exceção, que deviam ser exceção mas estão sendo despachos de regra, para conseguir ter polícias para isso", disse o delegado sindical na região Paulo Jardim, realçando ter havido um "aumento exponencial" do número de eventos após a pandemia de covid-19.
"Não há polícias para todos", avisou.
A questão do trabalho suplementar, também designado por "remunerados", foi um dos assuntos que o SIAP abordou hoje numa reunião com o comandante do Comando Regional da PSP da Madeira, Ricardo Matos, no Funchal.
"Conseguem nomear polícias em dias de folga e fora do horário de serviço e o despacho [de exceção] obriga todos os polícias nomeados a comparecer", explicou Paulo Jardim, sublinhando que o problema afeta todas as esquadras da região, sobretudo nos meses de julho, agosto e setembro, quando ocorrem os maiores eventos, festas e arraiais.
O trabalho suplementar, segundo disse, varia entre um mínimo de quatro horas e um máximo que pode atingir seis ou sete, sobre o horário regular de oito horas.
"Os polícias são nomeados, mas temos de ver o outro lado: os polícias também têm famílias e precisam do seu descanso, para estarem mentalmente bons para trabalhar", alertou, reforçando: "Com um polícia cansado, a população é que sofre."
Segundo o sindicalista, o comandante da PSP da Madeira indicou que tem tentado reduzir os "renumerados" desde que assumiu funções na região, em setembro de 2024, sobretudo ao nível de eventos desportivos infantis e festas em recintos fechados, ao mesmo tempo que procura coadjuvar alguns serviços com empresas de segurança privada.
Paulo Jardim disse ainda que o comandante regional considera que são necessários mais 150 agentes, sendo que o atual efetivo na região autónoma é composto por cerca 750 elementos, incluindo oficiais e chefes.
Na reunião com Ricardo Matos, foi também abordada a situação de um delegado do sindicato na esquadra de Câmara de Lobos, na zona oeste da ilha, que, segundo o sindicalista, "está privado da sua liberdade sindical".
"O comandante disse que vai tomar atenção, a ver o que se passa", salientou.