ADN alerta que salários dos polícias não podem depender de mais horas de trabalho
Partido exige revisão salarial da PSP e da GNR com efeitos a partir de Janeiro de 2027 e alerta para jornadas de trabalho que podem ultrapassar as 17 horas
O ADN Madeira considera que a valorização salarial dos profissionais da PSP e da GNR não pode continuar a depender da realização de serviços extraordinários, defendendo uma revisão das tabelas remuneratórias e melhores condições de trabalho para as forças de segurança.
A posição surge na sequência da manifestação realizada esta terça-feira, na Praça do Município, no Funchal, que reuniu cerca de meia centena de profissionais para exigir o cumprimento dos compromissos assumidos pelo Governo da República em 2024.
Em comunicado, assinado por Maíza Fernandes, o partido questiona quantas horas precisa um polícia de trabalhar para conseguir um rendimento compatível com as responsabilidades que assume. Aponta como exemplo os agentes que, depois de oito horas de serviço normal, ainda cumprem cinco, seis ou sete horas de serviços remunerados, conhecidos como gratificados, acumulando jornadas de 13 a 15 horas.
O ADN recorda ainda as denúncias de jornadas superiores a 17 horas durante o Rali da Madeira de 2026, bem como os alertas da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) para a falta de efectivos, o cancelamento de descansos e a sobrecarga de trabalho.
Não se pode exigir disponibilidade permanente sem garantir valorização profissional e descanso adequado. Porque uma sociedade segura não pode descansar sobre o cansaço de quem a protege.
Revisão salarial com efeitos em 2027
O ADN Madeira exige que o Governo da República apresente uma proposta escrita e calendarizada para a revisão das tabelas remuneratórias da PSP e da GNR, com critérios claros de progressão na carreira e efeitos salariais a partir de Janeiro de 2027.
A valorização salarial não deve ser tratada como um privilégio, mas como uma questão de justiça profissional e de responsabilidade do Estado perante quem assegura funções essenciais de segurança pública.
O partido considera igualmente necessário que o Ministério da Administração Interna, em articulação com as direcções da PSP e da GNR, avalie as necessidades de efectivos, as jornadas acumuladas e os descansos cancelados, com particular atenção à Madeira e ao Porto Santo.
Outra das reivindicações é a atribuição do subsídio de insularidade aos profissionais das forças de segurança colocados na Região, de forma a compensar os encargos específicos associados ao exercício de funções num território insular.