CTT defendem cacifos como forma de acelerar entregas na Madeira e nos Açores
O presidente executivo dos CTT - Correios de Portugal, Guy Pacheco, defendeu hoje no parlamento os cacifos da empresa como uma forma de acelerar as entregas nas regiões autónomas, vendo ainda com bons olhos a contratualização de um avião cargueiro.
Numa audição na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação sobre entregas nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores, Guy Pacheco admitiu que os CTT têm dificuldades essencialmente por duas razões.
"O primeiro é o tema dos voos de ligação e do transporte entre continente e ilhas, e depois, um tema que é mais transversal ao país, mas que nas regiões autónomas também acontece com alguma dimensão, que é o pleno emprego e a nossa dificuldade de contratar para fazer face a falhas temporárias", referiu.
Guy Pacheco disse que tanto na Madeira como na ilha de São Jorge têm havido "bastantes baixas imprevistas" e "alguma dificuldade em repor essa capacidade humana".
O presidente executivo dos CTT explicou que a empresa está a investir mais em cacifos e que acredita que podem ser "uma alternativa mais expedita para resolver os temas de tempo de entrega".
"A entrega em cacifos é uma entrega mais económica, também para as lojas 'online' e, portanto, isso pode ser um fator de resolução desse tema", admitiu.
Ainda assim, identificou "o tema mais estrutural" da capacidade de transporte para as ilhas.
"Há limitações de capacidade que nos afetam e à economia em geral das regiões autónomas. É um tema que continua a preocupar-nos e achamos que, se resolvido, poderia melhorar as condições de acesso", registou, acrescentando que a empresa tem trabalhado com todos os operadores que fornecem esse serviço.
Guy Pacheco apontou que os aviões privilegiam hoje os passageiros e que a carga disponível acaba por ser alocada aos correios, acabando as encomendas "dentro de um barco".
Com a redução da periodicidade da entrega, tal também tem impacto na logística à chegada do barco, uma vez que chega aos trabalhadores, num dia, "trabalho que deveria ser de uma semana".
Para isso, sublinhou novamente a capacidade dos cacifos, que, acredita, poderão contribuir para "alisar essa curva".
Questionado pelo Partido Socialista sobre se os CTT veriam com bons olhos a contratualização pelo Estado de um avião cargueiro, Guy Pacheco reconheceu que será bom não só para a encomenda postal, como para a economia de todas as ilhas.
"Diria que as empresas que operam com as ilhas e das ilhas para o continente também veriam, obviamente, com bons olhos, esse cargueiro. Não é um tema só de indústria logística, diria que é um tema de toda a economia", reforçou.
O presidente executivo dos CTT abordou ainda uma falha que envolveu os cacifos nos Açores e que afetou, no final de 2025, mais de 100 clientes.
"Durante o final do ano passado houve 10 destes cacifos que tinham, erradamente, configurado a morada do continente e o que afetou durante este período 112 clientes que viram os 'sites' entregarem as suas encomendas no continente e, portanto, qualquer eventual vício de 'geoblocking' que existisse foi eliminado por essa via", apontou.
Guy Pacheco sublinhou que esta falha afetou 112 clientes, num universo de 6.600 que utilizam este serviço.