Engenharia alimentar é estratégica para o futuro
Carla Rosa defende maior articulação entre profissionais para garantir uma alimentação segura, saudável e sustentável
A necessidade de reforçar a colaboração entre diferentes áreas profissionais para garantir um sistema alimentar mais seguro, saudável e sustentável foi uma das principais mensagens deixadas por Carla Rosa, no encerramento da conferência promovida pela Secção Regional da Madeira da Ordem dos Engenheiros Técnicos.
A responsável destacou o papel estratégico da engenharia alimentar, sublinhando que a segurança dos alimentos começa muito antes de chegarem à mesa dos consumidores, abrangendo todas as etapas da produção, transformação, conservação e distribuição.
Carla Rosa defendeu uma maior aproximação entre engenheiros alimentares e nutricionistas, considerando essencial que os conhecimentos científicos sobre os efeitos dos alimentos na saúde sejam incorporados no desenvolvimento e reformulação dos produtos alimentares.
A este propósito, lançou um desafio relacionado com a alimentação escolar, questionando a eficácia das restrições impostas nas escolas quando os alunos continuam a consumir produtos menos saudáveis fora dos estabelecimentos de ensino.
"Os miúdos saem da escola, vão ao café em frente e vão comer outra vez a mesma coisa", exemplificou, defendendo uma maior sensibilização da população.
A responsável abordou igualmente a problemática da carência de iodo na Madeira, manifestando interesse em que a Ordem dos Engenheiros Técnicos, através do Colégio de Engenharia Alimentar, possa colaborar com a comissão responsável pelo acompanhamento desta matéria, particularmente nas áreas da restauração e hotelaria.
"Não podemos falar de produção alimentar sem falar de sustentabilidade, não podemos falar de inovação sem falar de segurança e não podemos falar de alimentação sem falar de saúde", afirmou.
Carla Rosa salientou ainda que os engenheiros alimentares desempenham funções fundamentais na indústria, investigação, controlo de qualidade e desenvolvimento de novos produtos, embora grande parte desse trabalho permaneça invisível aos consumidores.
"O futuro da alimentação não será construído por uma única profissão ou área de conhecimento", advertiu, defendendo uma articulação efectiva entre engenheiros, agrónomos, médicos veterinários, nutricionistas, investigadores, produtores e entidades públicas.
A concluir, considerou que a engenharia alimentar deve afirmar-se como uma profissão capaz não apenas de resolver problemas, mas também de os antecipar, garantindo às próximas gerações alimentos seguros, nutritivos e produzidos de forma sustentável.