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Viver o futuro na Madeira

Participei há semanas nas jornadas parlamentares do PS, no Funchal. Este texto, e o seguinte, decorrem do que foi dito e discutido nessa sessão.

Um dos estudos apresentados referia o valor do metro quadrado de construção no Funchal. Fui investigar… quase 4000 euro por metro quadrado. Preços equivalentes, por exemplo, em Toulouse e em Cracóvia Preços um pouco mais altos em Leiden (5700). Um pouco menos em Berlin (5200).

A diferença está nos rendimentos… em termos de rendimentos médios mensais líquidos, em Cracóvia é cerca de 1700, em Toulouse 2600, em Leiden 3600… e no Funchal 1400.

Qual é a solução para isto? Na minha perspetiva a solução pode encontrar-se a dois níveis, e provavelmente nos dois níveis em simultâneo. Em termos de rendimentos, tem de ser feito um esforço sério na promoção do crescimento dos salários médios. O que vem acontecendo, é que com o aumento do salário mínimo, há cada vez mais pessoas a serem pagas por esta bitola, o que quer dizer que a tendência é que cada vez mais o salário médio se aproximará do salário mínimo. O salário mínimo tem de aumentar, mas o salário médio também…

A consequência disso é que cada vez mais será difícil fixar bons quadros na Madeira. Os que ficam são os que por qualquer razão não podem, ou não querem, sair da ilha, e estarão por isso desmotivados e desmoralizados, e os que não são capazes de trabalho mais qualificado em qualquer outro lugar. Todos os outros, especialmente os mais jovens, tendem a abandonar a Madeira… e porque não o fariam? Imaginando que fariam o mesmo em Leiden que aqui, teriam um salário 2,5 vezes superior, para um imobiliário que é 50% mais caro.

A outra face da moeda tem a ver com fazer cais os preços do metro quadrado na Madeira… criando, por exemplo, incentivos para residentes, particularmente residentes jovens, dificultando a obtenção do estatuto de residente, particularmente de países não Schengen.

Num caso e noutro, não sei que mecanismos seriam mais eficazes. Sei que estes problemas já afetaram outras cidades e regiões europeias, e embora sabendo que o que funcionou num sítio não funciona exatamente da mesma forma noutro, não hã nada de errado em estudar as soluções encontradas por outros países, por outras regiões, para resolver problemas que são problemas comuns.

Porque a consequência de não fazer algo eficaz é perder uma geração, mais uma, e ver a região e a cidade cada vez mais pertença de estrangeiros, a serem servidos, a todos os níveis, por outros estrangeiros, normalmente desmotivados, porque alojados e a viver em condições infra-humanas, e a serem explorados de toda a forma e feitio.

A imigração deve ser controlada (principalmente a imigração não Schengen), porque só com o aumento de procura local de mão de obra se verá uma subida generalizada de salários. Na minha perspetiva, dever-se-á exigir a quem vem viver e trabalhar para a Região o cumprimento das regras de escolaridade mínima para a idade, e fluência pelo menos em português ao nível B2, e idealmente em inglês. Estes trabalhadores devem estar sujeitos, em tudo, às mesmas condições, direitos e obrigações dos trabalhadores locais, e auferir dos mesmos salários.