Hábitos alimentares ditam saúde e longevidade
Nutricionista alerta para os riscos dos ultraprocessados e defende escolhas alimentares consistentes ao longo da vida
A qualidade da alimentação depende mais da repetição de hábitos saudáveis do que do consumo ocasional de determinados alimentos. A mensagem foi deixada pela nutricionista e professora do ensino superior Joana Sousa, durante a conferência dedicada à agricultura e à alimentação, promovida pela Ordem dos Engenheiros Técnicos.
"O futuro da alimentação não passa por superalimentos", afirmou, defendendo que a saúde resulta sobretudo dos padrões alimentares mantidos ao longo do tempo.
A especialista apresentou um estudo que acompanhou mais de 100 mil pessoas durante três décadas e concluiu que os indivíduos com maior adesão a padrões alimentares saudáveis apresentavam uma probabilidade entre 45% e 86% superior de envelhecer com saúde.
Entre os hábitos associados a melhores resultados destacou o consumo de fruta, hortícolas, cereais integrais, leguminosas e frutos oleaginosos, bem como a preferência por gorduras insaturadas.
Em contrapartida, alertou para os hábitos alimentares dos portugueses, caracterizados pelo consumo excessivo de carne vermelha e sal e pela ingestão insuficiente de fruta, vegetais e cereais integrais.
Joana Sousa dedicou particular atenção aos alimentos ultraprocessados, explicando que produtos com composição nutricional semelhante podem provocar respostas metabólicas diferentes.
A nutricionista referiu estudos que demonstram que, mesmo cumprindo recomendações alimentares, uma dieta baseada em produtos minimamente processados pode proporcionar melhores resultados, nomeadamente na perda de peso, do que outra com maior presença de ultraprocessados.
"Uma tabela nutricional pode descrever muitíssimo bem a composição, mas não descreve de todo a biologia do alimento", advertiu.
A especialista defendeu, por isso, que a inovação alimentar deve considerar não apenas os nutrientes, mas também o grau de processamento e os efeitos dos alimentos na saúde.
A principal recomendação passa por substituir escolhas menos saudáveis por alimentos protectores da saúde, privilegiando a água como bebida de eleição e a consistência dos hábitos alimentares.
A concluir, alertou para o consumo excessivo de carne vermelha em Portugal, que chega a ser quatro vezes superior à quantidade recomendada.