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Madeira

Desperdício alimentar exige respostas urgentes

Elisabete Simões defende maior aproveitamento dos alimentos e alerta para os custos económicos e ambientais das perdas

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Reduzir o desperdício alimentar é tão importante como aumentar a produção de alimentos. A ideia foi defendida por Elisabete Simões, engenheira técnica especialista em Segurança Alimentar e vice-presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Engenheiros Técnicos (OET), durante a conferência dedicada à agricultura e à alimentação, onde alertou para a necessidade de aproveitar melhor os recursos disponíveis e adoptar soluções mais sustentáveis.

"Antes de perguntarmos como devemos produzir mais, devemos perguntar quanto daquilo que já produzimos estamos a perder", afirmou, sublinhando que "o alimento do futuro pode não ser necessariamente um alimento novo", mas aquele que actualmente não é devidamente aproveitado.

A oradora recordou que, segundo as Nações Unidas, em 2022 foram desperdiçadas mundialmente cerca de 1.050 milhões de toneladas de alimentos, correspondentes a 19% dos produtos disponíveis para os consumidores. Na União Europeia, os números apontam para 59,2 milhões de toneladas em 2024, equivalentes a aproximadamente 129 quilos por habitante.

Elisabete Simões salientou que o desperdício representa também perdas de água, energia, solo, trabalho e recursos financeiros utilizados na produção, transformação e distribuição dos alimentos.

Na Madeira, a insularidade e a dependência do abastecimento externo tornam particularmente importante reduzir estas perdas. A hotelaria, a restauração e a distribuição podem contribuir através de um melhor planeamento das compras, gestão de existências e ajustamento das quantidades preparadas.

A especialista destacou ainda o programa regional de prevenção do desperdício alimentar, defendendo que a estratégia deve traduzir-se em medidas concretas envolvendo produtores, empresas e consumidores.

"A economia circular não consiste em usar tudo a qualquer preço", advertiu, lembrando que o reaproveitamento deve respeitar sempre as exigências de segurança alimentar.