Segurança alimentar não garante alimentação saudável
Romana Neves defende maior literacia alimentar e reforço dos mecanismos de controlo
"Um alimento seguro nem sempre é saudável, mas um alimento saudável tem de ser, obrigatoriamente, seguro." A afirmação é de Romana Neves, médica veterinária da Direcção Regional de Veterinária e Bem-Estar Animal, que alertou para a importância da literacia alimentar e da prevenção dos riscos associados ao consumo de alimentos.
A especialista, que integra a Divisão de Controlos e Licenciamentos Agroalimentares, interveio hoje numa conferência realizada no Centro de Congressos da Madeira, onde distinguiu a segurança alimentar da qualidade nutricional dos produtos.
Explicou que um alimento seguro deve estar livre de perigos biológicos, químicos e físicos, enquanto uma alimentação saudável depende também dos teores de açúcar, gorduras saturadas, fibras e vitaminas.
Romana Neves advertiu que mesmo produtos considerados saudáveis, como frutas e vegetais frescos, podem representar riscos quando existem falhas de higienização ou quebras na cadeia de frio.
Recordou ainda a crise da doença das vacas loucas como exemplo da importância da legislação europeia e dos sistemas de rastreabilidade, obrigatórios desde 2005, para garantir a segurança dos consumidores.
A médica veterinária destacou também a necessidade de controlos oficiais, boas práticas de higiene e fiscalização ajustada aos riscos de cada actividade.
Defendeu, por fim, uma abordagem integrada que articule a saúde dos solos, das plantas, dos animais e das pessoas, tendo como objectivo assegurar alimentos seguros, uma população saudável e um planeta sustentável.