Como sair?

Recebi uma proposta de prestação de serviços no meu correio como se fosse empresário, o que não sou, e estivesse a adiar há anos uma pergunta que mais cedo ou mais tarde se vai colocar: o que acontece à empresa quando eu deixar de estar à frente dela?

Este futuro não me tira o sono, mas admito que em quase tudo na vida convém antecipar cenários, mesmo que não esteja a pensar reformar-se, vender o que tem ou afastar-se do negócio.

Concordo que hoje, felizmente, sucessão já não significa apenas encontrar alguém da família para continuar o caminho. Pode significar, trazer um parceiro estratégico, vender uma parte da empresa, preparar uma transição gradual ou encontrar quem possa assumir a liderança enquanto continua a beneficiar do valor que criou. Subscrevo que seja possível preparar uma saída progressiva, assegurar a continuidade da equipa e dos clientes, proteger o nome e a reputação construídos ao longo dos anos e, em determinados casos, continuar ligado ao negócio — e ao seu valor — durante a transição.

Nas empresas, como na política e no futebol, a questão não é apenas quando sair. É como quer sair. E convém que não seja pela porta pequena.

Miguel F. Santos