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Quanto vale estar presente?

Há quem queira reduzir a minha deslocação à Venezuela a uma despesa. Para esses, deixo o número: 3.712 euros. Foi quanto custou (viagem e alojamento) uma missão em que viajei sozinho, sem vereadores, assessores ou qualquer comitiva do executivo municipal. Podia fazer? Podia. É caro? Para alguns é uma exorbitância. É legítimo que pensem assim? É, porque cada qual tem a sua opinião e goza do direito de liberdade de expressão.

Mas a pergunta séria não é quanto custou. É quanto valeu. Quanto vale estar junto de uma comunidade que nunca esqueceu a Ribeira Brava? Quanto vale ouvir dezenas de emigrantes, conhecer as suas dificuldades e compreender os seus anseios? Quanto vale dizer-lhes, cara a cara, que a terra onde nasceram continua a reconhecê-los como parte da sua história?

Quando a Ribeira Brava mais precisou, foram os nossos emigrantes que ajudaram. Ofereceram a primeira ambulância ao concelho. Contribuíram para a aquisição dos terrenos do Campo Municipal e para a construção da Igreja Matriz. Investiram, criaram emprego, movimentaram a economia e nunca deixaram de apoiar a sua terra.

Na altura de receber, ninguém questionou a distância e acharam um dever porque eram filhos da terra. Mas a memória é curta. Agora que chegou o momento de retribuir, há quem considere dispensável visitá-los. É legítimo? É, porque continuamos no plano da livre expressão que felizmente existe na Madeira, o que não poderiam fazer noutros locais.

Mas para esses: Fui à Venezuela entregar os fundos angariados para instituições de beneficência, mas seria uma visão muito curta entender esta missão apenas como a entrega de donativos. Vi instituições a trabalhar com poucos recursos, ouvi famílias que enfrentam dificuldades e percebi onde a ajuda pode ser mais útil. Um autarca não governa apenas sentado no gabinete. Governa também quando vai ao encontro das pessoas que representa, estejam elas na Ribeira Brava ou do outro lado do Atlântico.

Esta deslocação permitiu ainda reunir com um ministro venezuelano com raízes ribeira-bravenses, que abriu portas a empresas madeirenses interessadas em participar na recuperação e modernização do país, incluindo empresas tecnológicas sediadas no nosso concelho. Reuni igualmente com empresários disponíveis para investir na Ribeira Brava. Investimento significa atividade económica, riqueza e emprego. É ruim? Talvez seja para os que criticam. É legítimo que pensem assim? Claro que é, porque continuam a poder se manifestar.

Mas ainda para esses: Na Universidade Central da Venezuela, uma das poucas universidades do mundo classificadas como Património Mundial pela UNESCO, fui recebido pela vice-reitora e conheci a disponibilidade existente para aproximar aquela instituição da Ribeira Brava. Houve ainda encontros com dirigentes associativos, responsáveis institucionais e muitos cidadãos anónimos que me felicitaram pela deslocação.

Mas uma minoria acha que tudo isto deve ser criticado. Talvez porque seja mais fácil calcular uma passagem aérea do que medir o valor de uma porta aberta, de um investimento possível, de uma comunidade ouvida ou de uma ligação recuperada.

Aos que perguntam se valeu a pena, respondo sem hesitar: valeu. Valeu pelos que partiram, pelos que ficaram e pelas oportunidades. Até para os que hoje criticam. E oxalá que fosse assim porque não discriminamos ninguém. Meus caros, abandonar esta comunidade é que sairia demasiado caro à Ribeira Brava. Por mim, continuem a criticar. Aguento bem.