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BE pede ao Governo que apoie venda imediata da Visão para evitar encerramento

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Foto Arquivo

O BE pediu hoje ao Governo que o Estado, maior credor da Trust in News, apoie a venda imediata da Visão, mantida por jornalistas que pretendem comprá-la, alertando para o risco de encerramento até ao fim do ano.

Numa pergunta enviada aos ministros das Finanças, da Presidência e do Trabalho, o deputado único do BE, Fabian Figueiredo, considera que o Estado português, enquanto principal credor da empresa proprietária da revista, deve defender aquela que considera ser a "solução racional, para os credores e para o interesse público" de "vender a Visão já, como um todo e a quem garanta a continuidade do título".

"A revista Visão, publicada desde 1993, pode deixar de existir antes do fim do ano. Não por falta de leitores, nem de jornalistas, nem de quem a queira comprar. Pode acabar porque o processo de insolvência da sua proprietária, a Trust in News, Unipessoal, Lda. (TiN), está prestes a ser encerrado ao abrigo de um plano desenhado para uma empresa que, na prática, já não existe. O maior credor dessa empresa é o Estado", alerta o bloquista.

A revista continua a ser publicada por um grupo de jornalistas que, após o despedimento dos cerca de 80 trabalhadores da empresa proprietária da Visão, juntou mais de 200 mil euros numa campanha de angariação de fundos e criou uma sociedade para tentar comprar a publicação.

"A revista tem aumentado as vendas em banca, que o seu diretor situava em março numa média de 10 mil exemplares por semana, e acaba de receber o Prémio Património Editorial da Associação Portuguesa de Imprensa. Não é um ativo moribundo. É a parte viva de uma empresa que deixou de funcionar", salienta o Bloco.

Porém, a venda ficou suspensa quando o Supremo Tribunal de Justiça homologou, em março deste ano, o plano de insolvência da TiN, que prevê pagar as dívidas ao Estado em 150 prestações mensais e uma injeção de até 1,5 milhões de euros do proprietário, Luís Delgado.

"Considera o Governo exequível um plano desenhado para uma empresa com 16 títulos e cerca de 80 trabalhadores, quando essa empresa cessou a atividade em outubro de 2025, despediu todos os trabalhadores e viu os seus gerentes declarados inibidos pela sentença de 6 de junho de 2026?", questiona Fabian Figueiredo.

O partido recorda que o tribunal recusou recentemente convocar uma nova assembleia de credores e o administrador da insolvência pediu mais 60 dias para pagar dívidas antes do encerramento do processo, que deixaria a publicação "sem enquadramento".

O BE quer saber quais são os montantes devidos à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) e ao Instituto da Segurança Social (ISS) pela TiN e com base em que avaliação da viabilidade da empresa é que a AT e o ISS votaram favoravelmente ao plano de insolvência.

O partido pergunta também se, desde a decisão do Supremo Tribunal de Justiça, o Estado recebeu algum pagamento e que parte do aporte de 1,5 milhões de euros foi efetivamente realizado.

O deputado pretende ainda saber que contactos estabeleceu o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, enquanto membro do Governo responsável pela comunicação social, "com os jornalistas que asseguram a Visão, com o administrador da insolvência e com a Entidade Reguladora para a Comunicação Social sobre o futuro do título".

"O ministro da Presidência afirmou em julho, a propósito do apoio público aos media, que não acredita na 'socialização de perdas de más decisões de negócios', noticiou o ECO. Ninguém lhe pede isso. O que se pede é o contrário: que o Estado credor não assista à destruição da parte viva de uma empresa que deve milhões aos contribuintes", lê-se na pergunta.