Trump diz que EUA continuam a partilhar informações secretas, Zelensky nega
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que Washington continua a partilhar informações secretas com a Ucrânia, apesar das recentes críticas ao Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que disse não ter recebido qualquer aviso sobre mísseis dirigidos a Kiev.
"Estamos a ajudá-los e a partilhar informações. Queremos que a guerra termine. Por isso, estamos a trabalhar com eles e com a Rússia para que a guerra acabe", declarou Trump à comunicação social nos jardins da Casa Branca.
Na sua opinião, tanto Zelensky como o Presidente russo, Vladimir Putin, querem acabar com a guerra, mas o principal obstáculo é "o ódio que existe entre eles".
Estas declarações surgem depois de Trump ter nos últimos dias acusado Zelensky de não querer pôr fim ao conflito - iniciado em fevereiro de 2022 com a invasão russa do país vizinho --, por causa dos ataques ucranianos a infraestruturas energéticas russas, e no sábado chegou a afirmar que a Ucrânia deveria mudar de Presidente.
No domingo, o Presidente dos Estados Unidos anunciou um alegado acordo entre a Ucrânia e a Rússia para um "cessar-fogo energético" de 60 dias entre as duas partes, mas Zelensky disse desconhecer esse pacto e o Kremlin evitou pronunciar-se sobre o assunto, tendo o porta-voz, Dmitri Peskov, dito apenas que "prosseguem os contactos sobre essa matéria".
"Eles chegaram a um acordo porque eu disse que chegaram a um acordo", insistiu Trump na segunda-feira.
Hoje, o chefe de Estado ucraniano declarou que o seu país não recebeu qualquer aviso prévio dos seus parceiros sobre os cinco mísseis balísticos russos que atingiram infraestruturas civis na capital, Kiev, neste contexto de aumento das tensões com o homólogo norte-americano.
Zelensky não especificou a que parceiros se referia, caracterizou o ataque como "particularmente vil" e sublinhou que receber informações secretas de parceiros sobre tais ataques "ajuda a salvar vidas" e é "uma das coisas mais importantes".
"É precisamente isso que ajuda a evitar que as pessoas sejam mortas, quando há um alerta prévio sobre mísseis balísticos", escreveu o líder ucraniano na rede social X.
As mordazes críticas emitidas nos últimos dias por Trump a Zelensky, de que este não fez o suficiente para pôr fim à guerra e está na altura de a Ucrânia ter um novo Presidente, representam talvez o ponto mais baixo na relação entre ambos desde a desastrosa reunião de fevereiro de 2025 na Sala Oval.
Kiev continua a depender fortemente de Washington para obter ajuda militar, incluindo sistemas de defesa antimíssil Patriot de fabrico norte-americano e informações secretas sobre ataques russos iminentes.
Os Estados Unidos têm capacidade para detetar imediatamente lançamentos de mísseis balísticos russos, e as autoridades norte-americanas já antes notificaram a Ucrânia, permitindo-lhe emitir alertas de mísseis à população e utilizar defesas aéreas contra mísseis em aproximação.
Questionado sobre se a Ucrânia recebeu uma explicação para a ausência de informações secretas antes dos ataques com mísseis ocorridos durante a noite, um alto responsável ucraniano declarou, solicitando o anonimato, que o sucedido tinha sido considerado "uma falha", sugerindo que resultou de circunstâncias como as condições meteorológicas, e não de uma decisão deliberada.