Norte da Europa considera insuficiente corte no orçamento da UE
Os países do norte da União Europeia consideraram insuficiente o corte de 8% no orçamento europeu, proposto hoje pela presidência rotativa, atualmente exercida pela Irlanda, e pediram que se vá "além" para alcançar uma proposta "mais realista".
"Os Países Baixos não podem aceitar esta proposta. Neste ritmo, não haverá acordo antes do fim do ano. Junto com outros Estados-membros, os Países Baixos querem ir muito além para que a proposta recupere dimensões modernas, realistas e aceitáveis", disse o ministro das Finanças holandês, Eelco Heinen, nas suas redes sociais.
A proposta irlandesa reduz as contas comuns, conforme solicitado pelos países "frugais" --- Alemanha, Países Baixos, Áustria, Suécia, Dinamarca e Finlândia ---, mas concentra os cortes precisamente em áreas que esses parceiros querem priorizar, como segurança e defesa, competitividade, inovação e combate à migração irregular, em detrimento das rubricas tradicionais dos fundos agrícolas.
Na semana passada, este grupo avisou que não dará seu aval a um novo orçamento da UE se a proposta atual não sofrer cortes de "várias centenas de milhares de milhões de euros".
A ministra de Assuntos Europeus da Suécia, Jessica Rosencrantz, manifestou-se na mesma linha e classificou como "irracional" a proposta irlandesa que, na sua avaliação, não prepara o bloco comunitário para o século XXI.
"A nova proposta não é razoável. O volume global deve ser reduzido significativamente. Os números apresentados ainda representam um aumento extremamente insustentável e, portanto, estamos longe de um acordo. A Suécia continuará a lutar por um orçamento melhor, não por um maior", afirmou Rosencrantz.
Por outro lado, fontes diplomáticas desse grupo de países afirmaram à Efe que estes números são "uma decepção" e que nem sequer "se aproximam de um ponto de acordo", ao mesmo tempo em que consideraram que o "aumento dos gastos em relação à situação atual é inaceitável e, do ponto de vista financeiro, totalmente inviável".
"A proposta não prepara a UE para o século XXI. Este pacote de negociação não constitui uma base para um acordo", acrescentaram.
A presidência irlandesa do Conselho da UE propôs hoje cortes de 8% na proposta da Comissão Europeia de orçamento plurianual para 2028 a 2034, para um total de 1,62 biliões de euros, sem mexer substancialmente na coesão e agricultura.
Em causa está uma proposta equivalente a 1,16% do Rendimento Nacional Bruto (RNB) da União Europeia, num total de 1,62 biliões de euros a preços constantes de 2025 face à proposta do executivo comunitário de 1,76 biliões de euros (e de 1,83 biliões de euros relativamente a 1,98 biliões de euros a preços correntes).
A Irlanda apresentará a sua proposta primeiro aos ministros de Assuntos Europeus da UE na próxima terça-feira, quando ocorrerá uma primeira abordagem do tema, e depois na cimeira de chefes de Estado e de Governo, nos dias 15 e 16 de outubro, para tentar superar a grande divergência que ainda persiste, visando alcançar um acordo em dezembro.