Índia expressa "profunda preocupação" e Japão pronto para ajudar a restaurar democracia
O Governo da Índia expressou hoje "profunda preocupação" com a situação na Venezuela, na sequência da execução da operação militar norte-americana "Absolute Resolve", com o Japão a dizer-se pronto para ajudar a restaurar a democracia.
Em Nova Deli, num comunicado oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em que não faz qualquer menção explícita ao Presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, o Governo não se pronunciou sobre a legitimidade da ação e optou por centrar-se num apelo à paz e a que se evite uma escalada da violência.
"A Índia reafirma o seu apoio ao bem-estar e à segurança dos venezuelanos, instando todos os atores envolvidos a resolver as diferenças através de um diálogo pacífico", refere o texto diplomático, omitindo referências diretas ao presidente detido ou ao seu estatuto político.
As autoridades indianas informaram ainda que a sua embaixada em Caracas mantém contacto permanente com os cidadãos indianos residentes no país sul-americano, para "garantir a sua integridade física" e prestar assistência logística perante a situação de instabilidade.
Enquanto outras potências do grupo BRICS, como a Rússia e a China, condenaram a intervenção, o Governo indiano optou por um perfil discreto, apelando a uma solução negociada sem validar nem condenar a operação militar.
Maduro e a sua mulher, Cilia Flores, foram capturados no sábado em Caracas e transferidos para os Estados Unidos, onde o chefe de Estado venezuelano passou a primeira noite detido no centro federal Metropolitan Detention Center, em Brooklyn.
Entretanto, em Caracas, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente a chefia do executivo por ordem do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, num cenário de incerteza institucional.
Em Tóquio, também num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão afirmou hoje estar a acompanhar "de perto" a situação na Venezuela, acrescentando que irá trabalhar para "restaurar a democracia" naquele país.
"O Governo do Japão está a acompanhar de perto a situação e a dar prioridade absoluta à segurança dos cidadãos japoneses" residentes na Venezuela, refere o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Tóquio irá trabalhar com "países relevantes, incluindo os do G7", grupo de que faz parte o seu principal aliado e autor da operação militar, os Estados Unidos, para "promover os esforços diplomáticos destinados a restabelecer a democracia e a estabilizar a situação na Venezuela".
A diplomacia japonesa sublinhou a importância de respeitar o direito internacional e, ao mesmo tempo, reiterou que o Governo do arquipélago tem defendido "a importância de restabelecer a democracia na Venezuela o mais rapidamente possível".