França e Dinamarca condenam, mas Itália considera legítima acção dos EUA
O ministro dos Negócios Estrangeiros de França condenou hoje a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas, durante uma operação que "viola" o direito internacional.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, está a acompanhar "de perto a situação na Venezuela e mantém contactos com os seus parceiros regionais", informou a equipa do chefe de Estado. Embora Nicolás Maduro, no poder desde 2013, tenha "atentado gravemente contra a dignidade e o direito à autodeterminação" do povo venezuelano, "a França reitera que nenhuma solução política duradoura pode ser imposta de fora e que os povos soberanos decidem sozinhos o seu futuro", escreveu o ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, numa mensagem na rede social X. "A operação militar que conduziu à captura [de Maduro] viola o princípio da não utilização da força, que está na base do direito internacional", afirmou o ministro, acrescentando que "a multiplicação das violações deste princípio por nações investidas da responsabilidade principal de membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas terá graves consequências para a segurança mundial, que não pouparão ninguém".
Também a Dinamarca manifestou hoje preocupação com a situação na Venezuela, país que tem vivido "acontecimentos dramáticos" cuja evolução Copenhaga acompanha de perto, indicou o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, que também apelou à "desaceleração" da operação dos Estados Unidos "Precisamos de voltar à desaceleração e ao diálogo, o direito internacional deve ser respeitado", frisou o político dinamarquês na rede social X, citando um comentário da alta representante dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), Kaja Kallas, na mesma rede social, que também apelou à moderação após o ataque aéreo norte-americano em Caracas e depois de ter mantido uma conversa com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Opinião diferente tem a primeira-ministra de Itália, Giorgia Meloni, que considerou "legítimo" o ataque dos Estados Unidos à Venezuela para se defender do narcotráfico. Meloni precisou, todavia, que a intervenção militar de um país estrangeiro não é "o caminho" para acabar com uma ditadura. "O Governo acredita que a ação militar externa não é o caminho a seguir para pôr fim a regimes totalitários, mas, ao mesmo tempo, considera legítima uma intervenção de natureza defensiva contra ataques híbridos à sua própria segurança, como no caso de entidades estatais que alimentam e favorecem o narcotráfico", afirmou num comunicado.
Já em Madrid, perto de uma dezena de venezuelanos concentraram-se frente ao Consulado da Venezuela na capital espanhola para celebrar a captura de Maduro pelas autoridade norte-americanas. "Maduro, narcotraficante, usurpador, assassino, chegou a tua hora" ou "liberdade, liberdade, liberdade!", gritavam os manifestantes, apoiados por motoristas que buzinavam em sinal de apoio e por transeuntes que paravam para dar os "parabéns" pela captura do presidente venezuelano.
Outro manifestante também pediu calma, alegando que há ainda "muito trabalho pela frente" para "terminar de tirar todos os que faltam" da Venezuela.
De acordo com os números do Censo anual da população do Instituto Nacional de Estatística, em 01 de janeiro de 2024 residiam em Espanha 325.254 pessoas com nacionalidade venezuelana.
Nicolás Maduro foi formalmente acusado nos Estados Unidos por corrupção, tráfico de drogas e outras acusações em 2020.
Horas antes, o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, apelara à "desescalada e à responsabilidade", bem como ao respeito pelo Direito Internacional, após ataques norte-americanos na Venezuela e a captura do líder, Nicolás Maduro.
Donald Trump anunciou hoje um "ataque em grande escala" na Venezuela para a captura do chefe do Estado venezuelano, Nicolás Maduro, que foi retirado à força do país.
Numa conferência de imprensa na Florida, o Presidente norte-americano afirmou hoje que os Estados Unidos vão "dirigir a Venezuela" até estar concluída uma transição de poder e admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.