Aeroporto militar de Caracas com vestígios de incêndio e danos na vedação após explosões
Vestígios de incêndios e alguns danos na vedação da Base Aérea Generalíssimo Francisco de Miranda foram constatados hoje pela EFE, após o Governo da Venezuela ter denunciado uma "agressão militar" por parte dos Estados Unidos.
Para além do fogo, no local também conhecido como La Carlota, o principal aeroporto militar de Caracas, eram visíveis restos de árvores e a destruição de partes da principal autoestrada da cidade, adjacente à instalação militar, onde se encontravam igualmente militares em viaturas que rodeavam a zona.
O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou o estado de emergência em todo o território nacional, após denunciar a "agressão militar perpetrada pelo atual Governo dos Estados Unidos", na sequência das explosões registadas na madrugada em Caracas e nos estados vizinhos de Miranda, Aragua e La Guaira.
Detonações e explosões, acompanhadas pelo sobrevoo de aviões, foram ouvidas na madrugada em Caracas, num contexto em que a Venezuela tem denunciado "ameaças" do Governo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relacionadas com o destacamento militar no Caribe e advertências de ataques terrestres.
Nas redes sociais circulam imagens de explosões em vários pontos da capital venezuelana, enquanto utilizadores relataram detonações no principal quartel militar do país, o Forte Tiuna, a oeste da cidade, bem como em La Carlota.
Em Forte Tiuna, aliás, dezenas de habitantes abandonaram a instalação militar na madrugada de hoje.
Uma das explosões, das quais o Governo de Nicolás Maduro acusa os Estados Unidos - que, por seu lado, ainda não se pronunciaram oficialmente - ocorreu numa montanha próxima de Fuerte Tiuna, onde se situa a sede do Ministério da Defesa. Nesse local registou-se também um corte no fornecimento de eletricidade, bem como em zonas adjacentes, enquanto se ouvia o sobrevoo de aeronaves, constatou a EFE.
De imediato, moradores de edifícios residenciais dentro da instalação militar começaram a descer pelas escadas, vários deles com o objetivo de sair do local, alguns a pé e outros em viaturas, na sua maioria cheias de pessoas que fugiam por receio de novas explosões.
Um militar ordenava aos condutores que desligassem as luzes dos automóveis, que formavam fila para sair por uma das principais entradas do complexo militar.
No interior de um dos veículos, um casal dirigia-se para outra zona de Caracas onde se encontravam familiares, enquanto a mulher rezava pela proteção da sua habitação e o homem falava com parentes para saber como se encontravam.
No centro de Caracas, onde se localizam grande parte das instituições públicas, havia fornecimento de eletricidade e as avenidas e ruas estavam, na sua maioria, quase desertas, com poucos veículos a circular e algumas pessoas fora de casa ou a caminhar nos passeios.
O Governo de Maduro denunciou, em comunicado, uma "gravíssima agressão militar" por parte dos Estados Unidos em localidades civis e militares.
Segundo o texto oficial, Maduro declarou o estado de emergência em todo o território nacional, para "proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar de imediato à luta armada".
Na sexta-feira passada, o Presidente norte-americano anunciou um ataque contra uma "grande instalação", no âmbito da sua campanha contra uma rede de narcotráfico liderada, segundo Washington, pela Venezuela, sem especificar se a ação ocorreu em território venezuelano.
Na segunda-feira, Trump indicou que o ataque teve lugar num cais, mas também não precisou a localização geográfica do bombardeamento.
Segundo noticiou na segunda-feira o New York Times, a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos realizou, na semana passada, um ataque com drones contra uma instalação portuária na Venezuela.
Na quinta-feira, Maduro afirmou, numa entrevista, que o sistema defensivo do seu país "garantiu e garantirá a integridade territorial" da Venezuela, quando questionado sobre este alegado ataque terrestre, que não confirmou nem desmentiu.