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UE vai endurecer sanções a Teerão em resposta à repressão de manifestantes

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, anunciou hoje que pretende endurecer algumas sanções contra o Irão, nomeadamente em tecnologias utilizadas em armamento, em resposta à "repressão brutal" dos protestos antigovernamentais.

"Hoje, propomos proibir exportações adicionais de tecnologias críticas relacionadas com drones e mísseis", escreveu Von der Leyen na rede social X.

A presidente da Comissão Europeia adiantou que outras sanções estão a ser preparadas, sem revelar quais.

"A UE já impôs sanções de grande alcance ao Irão por violações dos direitos humanos, proliferação nuclear e apoio à guerra da Rússia contra a Ucrânia", continuou Von der Leyen.

Também a chefe da diplomacia europeia Kaja Kallas, durante uma intervenção no Parlamento Europeu em Estrasburgo, explicou que as sanções virão sob a forma de "novas restrições à exportação de componentes" que o Irão pode "utilizar para a produção de drones e mísseis".

"Isto limitará ainda mais a capacidade do Irão de alimentar a contínua agressão da Rússia contra a Ucrânia", prosseguiu.

Kallas afirmou que as mulheres e os homens iranianos "demonstraram uma coragem extraordinária" e que lutam "pela liberdade, pela dignidade e por uma vida melhor".

"A situação dos direitos humanos é grave há anos, em particular devido ao ritmo assustador das execuções e detenções arbitrárias de defensores dos direitos humanos. Mas o que estamos a testemunhar agora é de outra magnitude", acrescentou.

A Comissão Europeia já trabalha há dias com os 27 no novo pacote de sanções contra o Irão em reuniões ao nível dos embaixadores, com a ideia de o poder aprovar no próximo dia 29 de janeiro, quando os ministros dos Negócios Estrangeiros dos Estados-Membros terão a última palavra para aprovar por unanimidade possíveis sanções.

O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país. Os protestos acabaram por evoluir para um movimento de contestação do regime da República Islâmica, uma teocracia xiita conservadora.

As autoridades iranianas foram endurecendo a sua posição e a repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e a Israel.

Várias organizações não-governamentais estimaram que as manifestações e a atuação das forças de segurança provocaram mais de 3.000 vítimas mortais, nas últimas semanas, e muitos mais milhares de feridos.

A agência de notícias iraniana Tasnim contabilizou, no final da semana passada, perto de 3.000 pessoas detidas na sequência das agitações populares, enquanto os grupos de defesa dos Direitos Humanos avançaram o número de cerca de 20.000 detenções.