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Imprensa internacional destaca confronto entre extrema-direita e surpresa Seguro

Foto Lusa
Foto Lusa

O confronto na segunda volta entre a surpresa socialista, António José Seguro, e um candidato de extrema-direita ou radical, André Ventura, merece hoje destaque na Imprensa internacional, que salienta ainda a derrota de Luís Marques Mendes.

Num artigo com o título "O socialista Seguro e o radical Ventura disputarão a segunda ronda das Presidenciais em Portugal", o espanhol El País sublinha a forma como António José Seguro, "retirado da política nos últimos dez anos" e "sem grande apoio inicial no seu próprio partido", ficou em primeiro lugar "contra todos os prognósticos e quase contra todos", marcando um confronto na segunda volta, em 08 de fevereiro, com "o candidato da direita radical, André Ventura".

A derrota de Luís Marques Mendes, que ficou em quinto, é classificada pelo periódico como "um grande revés" para o candidato apoiado pelo primeiro-ministro, com o também espanhol La Vanguardia a falar mesmo num "duro golpe" para Luís Montenegro, explicável, entre outros aspetos, pela "debilidade do candidato", em virtude do "seu papel obscuro de lobista de altos voos".

Para o periódico, António José Seguro é, "a não ser que surja uma catástrofe", "o virtual novo presidente de Portugal", ao fim de "20 anos de mandatos conservadores" e num país virado "mais à direita de sempre".

O também espanhol El Mundo antecipa igualmente que o candidato apoiado pelo PS será o próximo presidente de Portugal, ao concentrar o voto contra a extrema-direita, sem deixar de destacar as palavras de André Ventura de que "a luta agora será entre o socialismo e o não socialismo".

Em França, o Le Monde realça também o confronto da segunda volta entre o socialista e o candidato da extrema-direita, enquanto o belga Le Soir assinala que esta última não foi, afinal, "a grande vencedora da noite eleitoral".

Já o Le Fígaro titula "Eleições presidenciais em Portugal: o candidato socialista lidera à primeira volta, o candidato de extrema-direita fica em segundo lugar".

Já o Politico, dedicado à cobertura dos assuntos da União Europeia, fala numa "vitória surpresa" do centro-esquerda na primeira ronda das eleições presidenciais de hoje, ressalvando que a capacidade de André Ventura "de assegurar quase um quarto" dos votos é reveladora de "quão extraordinário" tem sido o crescimento do Chega em Portugal.

Por sua vez, o The Guardian escreve "Eleições presidenciais em Portugal: Seguro, do Partido Socialista, vai defrontar líder da extrema-direita na segunda volta".

Segundo o jornal, "nas cinco décadas desde que Portugal se libertou da ditadura fascista, uma eleição presidencial apenas necessitou de uma segunda volta uma vez -- em 1986 -- o que evidencia a fragmentação do panorama político com a ascensão da extrema-direita e o desencanto dos eleitores com os partidos tradicionais".

No Brasil, O Globo destaca "Socialista e ultradireitista vão disputar segundo turno nas eleições presidenciais de Portugal", referindo que com mais de 99% das urnas apuradas, António José Seguro alcançou 31,14% dos votos, contra 23,48% de André Ventura.

O Folha de São Paulo realça também "Socialista e ultradireitista avançam ao 2.º turno na eleição presidencial em Portugal".

António José Seguro foi o candidato mais votado com 31,14% nas eleições presidenciais de hoje, quando estão apurados os resultados provisórios em Portugal e faltam 12 dos 109 consulados.

O segundo candidato mais votado foi André Ventura, com 23,48%, e o terceiro foi João Cotrim de Figueiredo, com 15,99%, segundo os dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna - Administração Eleitoral.

A segunda volta será disputada em 08 de fevereiro entre António José Seguro, apoiado pelo PS, e André Ventura, pelo Chega.

Mais de 11 milhões de eleitores foram hoje chamados à 11.ª eleição do Presidente da República desde a instauração da democracia em 25 de Abril de 1974, votando no sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, que atingiu o limite de dois mandatos.